Vanessa Eugenio e a pequena Sophie Eugênio, de apenas 10 meses, vítimas de feminicídio.
(Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Sob intensa revolta popular e com o policiamento reforçado no Fórum de Campo Grande, teve inicio nesta quarta-feira, 27 de maio, o julgamento de João Augusto Borges de Almeida, de 22 anos. Ele senta no banco dos réus exatamente um ano após cometer um dos crimes mais brutais da história recente de Mato Grosso do Sul: o duplo feminicídio de sua companheira, Vanessa Eugênio Medeiros, de 23 anos, e da filha do casal, Sophie Eugênio Borges, de apenas 10 meses. O réu confesso responde por homicídio triplamente qualificado e destruição de cadáver.
Presidido pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, o julgamento foi desmembrado para ocorrer em dois dias devido à complexidade e ao número de depoimentos programados. A manhã do primeiro dia foi marcada por relatos contundentes das testemunhas de acusação. Um ex-colega de trabalho do réu revelou em plenário que João Augusto já manifestava o desejo de matar a esposa por se sentir "controlado" e planejava o crime há pelo menos dois meses. A testemunha chocou os jurados ao relatar que, no dia do crime, o acusado voltou do almoço com arranhões no pescoço dizendo "tá feito". Mais tarde, por mensagens de texto, João insistiu para que o colega o ajudasse a ocultar os corpos, avisando que eles já estavam no porta-malas do carro e "já estavam fedendo".
A denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) reconstrói a frieza do crime ocorrido no bairro São Conrado. João Augusto asfixiou Vanessa no quarto do casal utilizando técnicas de artes marciais para imobilizá-la. Em seguida, esganou o bebê de 10 meses porque estava "de saco cheio" da rotina e da responsabilidade familiar. Após as mortes, ele foi trabalhar normalmente. À noite, comprou um galão de gasolina, levou os corpos até uma área de mata no Indubrasil e ateou fogo. Ele foi preso em flagrante no dia seguinte, justamente quando entrava na 6ª Delegacia de Polícia para tentar registrar um boletim de ocorrência falso de desaparecimento. Na ocasião, ele declarou à polícia que cometeu o crime porque a esposa queria a separação e ele "não queria pagar pensão".
A estratégia da defesa sofreu duras derrotas antes de chegar ao plenário. Recentemente, a Justiça rejeitou o pedido para a instauração de um incidente de insanidade mental, confirmando a plena integridade e consciência dos atos do réu. Diante da robustez das provas coletadas pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios (DHPP), a banca de quatro advogados que representa João Augusto admitiu que não fará a "defesa do impossível". A linha de atuação dos defensores foca agora em tentar derrubar algumas qualificadoras técnicas e atenuar a dosimetria da pena final, enquanto a família das vítimas acompanha o julgamento clamando por punição máxima.
*Com informações do Mídiamax, G1 e Primeira Página
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