Sexta-feira, 01 de Maio de 2026
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"Escolhe como quer morrer": homem ficou 4 dias com corpo da mulher em casa

01 mai 2026 - 10h34   atualizado às 12h49

Danielly Carvalho

"Escolhe como quer morrer": homem ficou 4 dias com corpo da mulher em casa Imagem de Zelita Rodrigues de Souza em vida. (Foto: Arquivo pessoal)

Suspeito de matar a esposa, Vicente Asuncion Vidal Gonzalez, de 41 anos, ficou quatro dias com o corpo da vítima dentro de casa, no Porto Isabel, área rural de Mundo Novo, a 463 quilômetros de Campo Grande. Zelita Rodrigues de Souza, de 74 anos, foi encontrada na tarde de quinta-feira (30), em avançado estado de decomposição.

A irmã da vítima, Léia Miranda da Silva, de 69 anos, diz que não tem dúvidas sobre a culpa de Vicente, e afirmou que o crime era temido pela família. “Ele matou ela de segunda para terça-feira. Depois ficou com o corpo dentro de casa. Ele saía, fechava a porta, voltava”, relatou.

Zelita foi sepultada na manhã desta sexta-feira, em Guaíra (PR), onde vivem familiares. “Eu não convivia com eles. Moro em Maringá e vim para cá só para o velório. Pelo que os familiares que moram aqui contam, a convivência era conturbada”, disse Léia.

Segundo ela, o relacionamento durava cerca de 10 anos, sendo aproximadamente sete em Mundo Novo. “Eles não tiveram filhos juntos. Ela já era mais velha, mas tinha dois filhos de antes, já adultos”.

A irmã conta que recebeu a notícia enquanto estava em Bela Vista. “Minha sobrinha, que mora em Guaíra, me ligou contando o que tinha acontecido. Aí vim para cá”.

Para a família, o desfecho já era esperado. “Para nós, foi algo que a gente já esperava. Ela sofria muito na mão dele. Ele batia nela, maltratava, humilhava bastante”.

As agressões eram frequentes e, segundo o relato, incluíam tortura. “Ele queimava ela com cigarro, cutucava ela com ponta de faca”. O suspeito também já havia feito ameaças de morte. “Ele disse: ‘Escolhe o jeito que você quer morrer que eu vou te matar’”.

A família tentou afastá-la do agressor. “A gente falava para ela largar dele. Minha irmã pedia para ela não voltar. Uma sobrinha tentou levar ela para morar em outro lugar, mas ela sempre voltava”.

A última conversa entre as irmãs foi na segunda-feira. “Na terça e quarta eu já não consegui mais falar com ela”.

O corpo só foi encontrado após desconfiança de vizinhos. “Eles estranharam e entraram. Ela estava em cima da cama, seminua, já em estado avançado e com muitos machucados”.

Segundo Léia, o suspeito não tentou fugir. “Quando a polícia chegou, ele disse que ela não tinha nada e que podiam levá-lo”.

O velório, segundo Léia, foi rápido e difícil. “O corpo já estava em estado avançado, ninguém conseguia ficar perto. O caixão estava aberto, mas quase ninguém conseguiu se aproximar”.

Zelita não trabalhava e vivia em casa. A cobrança agora é por justiça, ainda que com descrença. “A gente quer justiça. Mas, sinceramente, não acredita muito. Ele vai ficar preso um tempo e depois pode sair”.

Crime

O corpo apresentava sinais de espancamento, lesões na nuca e estava com parte do cabelo arrancado. Equipes foram acionadas por volta das 16h após informação repassada às forças de segurança.

O chamado partiu do Corpo de Bombeiros de Guaíra (PR), que recebeu solicitação sobre uma mulher sem sinais vitais em uma casa na Estrada do Cascalho. A Polícia Militar foi até o local e acionou a Polícia Civil.

Na residência, já isolada, o companheiro indicou onde o corpo estava. Zelita foi encontrada deitada de costas sobre a cama, seminua, com marcas visíveis de agressão e áreas do couro cabeludo expostas.

A análise inicial identificou lesões na nuca e outros sinais de violência, descartando morte natural. Vicente foi levado como principal suspeito.

Em depoimento, afirmou que dormia e encontrou a esposa sem vida ao acordar. Ele apresentava sinais de embriaguez. Vizinhos relataram relacionamento conturbado, com discussões frequentes e consumo de álcool nos últimos dias.

O caso é investigado como o 12º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul.

*Fonte: Campo Grande News.

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