Plantação de milho safrinha.
(Foto: Ana Cristina/Semadesc)
As mudanças climáticas globais têm provocado severas irregularidades no regime de chuvas em Mato Grosso do Sul, alterando a distribuição regional e modificando os períodos tradicionais de estiagem e precipitação. Para driblar essas incertezas e garantir a estabilidade do setor produtivo, os agricultores sul-mato-grossenses estão apostando fortemente na produção irrigada.
Esse cenário tecnológico foi o tema central do Dia de Campo da Cultura do Milho Safrinha, realizado na Fazenda Real, em Maracaju. O evento foi promovido em parceria pela Associação dos Irrigantes de Mato Grosso do Sul (AIMS), pela empresa de pesquisa e consultoria rural MS Integração e pelo Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Sediado na propriedade de Luiz Carlos Roos — que além de produtor rural é o atual presidente da AIMS —, o evento reuniu cerca de 300 produtores e profissionais do setor. A Fazenda Real possui 700 hectares de extensão, dos quais 580 são ocupados por lavouras de milho. Roos investiu em um projeto estruturado para cinco pivôs centrais de irrigação, sendo que dois já estão em pleno funcionamento, cobrindo uma área de 260 hectares. Os números apresentados pelo produtor comprovam a eficiência da tecnologia no campo:
- Soja: A produtividade salta de 60 sacas por hectare no sistema de sequeiro (dependente das chuvas) para 85 sacas por hectare com irrigação.
- Milho: O rendimento cresce de 110 sacas para 160 sacas por hectare na área irrigada, representando um aumento de aproximadamente 45%.
Durante a programação, os participantes puderam conferir mostras de mais de 80 variedades de milho desenvolvidas por diferentes empresas do mercado. Os materiais expostos foram geneticamente adaptados para atender às exigências específicas do solo regional, suportar variações climáticas severas e resistir a pragas.
Conhecimento e incentivo público impulsionam o setor
O secretário adjunto da Semadesc, Alex Melotto, representou o Executivo estadual e destacou que a eficiência agrícola está diretamente ligada à capacitação dos produtores. "A produtividade de nossas lavouras é diretamente proporcional ao conhecimento investido nelas. Já estamos pensando sobre a próxima safra e é hora de aprender para tomar boas decisões", pontuou. O evento contou também com a participação do secretário executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, e de técnicos da pasta.
O prefeito de Maracaju, José Marcos Calderan, enfatizou o privilégio do município em sediar instituições de ponta, como a MS Integração e a Fundação MS, além de celebrar os investimentos estaduais em inovação. "Os produtores estão sempre buscando aprimoramento através dessas novas tecnologias", afirmou o gestor público.
O avanço do programa MS Irriga
A expansão dessas tecnologias é respaldada pelo MS Irriga (Programa Estadual de Irrigação), lançado pelo Governo do Estado em 2024. A iniciativa busca incentivar de forma sustentável a ampliação das áreas agrícolas com fornecimento controlado de água, gerando maior diversificação de culturas.
Os dados mais recentes do setor revelam o crescimento expressivo da técnica: Mato Grosso do Sul já contabiliza 320.304 hectares irrigados, quase o triplo do registrado há duas décadas, quando o índice era de 120 mil hectares. Apesar do avanço, o estado ainda possui um potencial estimado de 4,7 milhões de hectares que podem receber sistemas de irrigação no futuro, o que projeta um aumento substancial no volume total de commodities produzidas no território sul-mato-grossense.
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