Homem em embarcação durante atividade em rio do Pantanal.
(Foto: Raquel Brunelli D´Avila)
A rotina da pesca no Pantanal vai muito além dos barcos nos rios e do turismo movimentado durante a temporada. Por trás das regras que determinam períodos de captura, tamanhos permitidos e restrições durante a piracema, existe um trabalho de monitoramento científico realizado há mais de três décadas em Mato Grosso do Sul.
Considerada uma das atividades econômicas mais importantes do bioma, a pesca movimenta cerca de R$ 150 milhões por ano no estado. A prática envolve pescadores artesanais, turismo esportivo e comunidades ribeirinhas que dependem dos rios tanto para renda quanto para alimentação. Em um cenário de pressão ambiental crescente, pesquisadores defendem que as decisões sobre o setor precisam continuar apoiadas em dados técnicos e acompanhamento contínuo das espécies.
O Pantanal concentra centenas de espécies de peixes, entre elas algumas das mais valorizadas comercialmente, como dourado, pacu e pintado. A preocupação em manter esses estoques levou instituições de pesquisa a desenvolver estudos sobre reprodução, comportamento, impacto da captura e alterações ambientais na Bacia do Alto Paraguai.
Grande parte das normas aplicadas atualmente à pesca em Mato Grosso do Sul surgiu a partir dessas pesquisas. O pesquisador Agostinho Catella afirma que as informações produzidas ao longo dos anos ajudaram diretamente na construção das políticas de manejo adotadas no estado. Segundo ele, o ordenamento pesqueiro carrega o "DNA" da Embrapa Pantanal. “Os trabalhos de biologia básica de espécies nativas de peixes, potencial de captura e, estoques pesqueiros das principais espécies comercializadas, uso de petrechos de pesca entre diversos outras pesquisas, também iniciadas no final da década de 80, subsidiaram a política de gestão da pesca: o período de defeso é fruto de informações técnicas levantadas pela Unidade”, explica.
Entre as iniciativas consideradas fundamentais está o Sistema de Controle da Pesca de Mato Grosso do Sul (SCPESCA/MS), criado em parceria com órgãos ambientais e forças de fiscalização. O banco de dados acompanha, ano após ano, a produção pesqueira na região e reúne informações sobre espécies capturadas, quantidade retirada dos rios, períodos de maior atividade e perfil dos pescadores.
Os levantamentos também ajudam a identificar sinais de alerta para determinadas espécies. Foi com base nesse acompanhamento que autoridades decidiram ampliar o tamanho mínimo permitido para captura do pacu e do jaú em temporadas recentes, numa tentativa de reduzir os riscos de queda populacional.
Os relatórios produzidos pelo sistema mostram ainda como fatores ambientais interferem diretamente na pesca. Intensidade das cheias, duração das viagens, rendimento da atividade e influência de ações humanas nos rios entram nas análises feitas pelos pesquisadores.
Catella destaca que o material reúne informações detalhadas sobre o comportamento da pesca no estado. “O relatório aponta, também quais as espécies mais capturadas, quantidade e os rios onde os peixes foram pescados, além de dados como: o número total de pescadores profissionais registrados neste ano, a duração das viagens dos pescadores profissionais e amadores, cota de captura estipulada no ano, períodos de maior atividade pesqueira, entre diversos outros dados relevantes para a realização de uma análise sobre o impacto da atividade antrópica para a manutenção dos estoques pesqueiros da região”, detalha.
De acordo com os estudos realizados entre 2004 e 2018, não houve crescimento nem redução significativa na quantidade de pescado capturado pela pesca artesanal e pela pesca esportiva em Mato Grosso do Sul. As espécies migratórias, conhecidas pelo deslocamento durante a piracema, seguiram predominando nas duas modalidades.
Os resultados apontaram que “Em termos QUANTITATIVOS, a pesca profissional artesanal e a pesca amadora permaneceram estáveis, sem exibir tendência de aumento ou diminuição, ao longo do período estudado na Bacia do Alto Paraguai - MS. Em termos QUALITATIVOS, as espécies migradoras (de piracema) representaram a maior parte da captura da pesca profissional artesanal (92%) e da pesca amadora (76%), mantendo essa proporção constante, sem exibir tendência de aumento ou diminuição, ao longo do período avaliado na Bacia do Alto Paraguai – MS.”
Além do monitoramento nos rios, pesquisadores também mantêm um acervo digital com documentos históricos ligados à atividade pesqueira. O portal "Memória da Pesca do Pantanal", criado em 2005, reúne estudos, legislações, relatórios técnicos e registros de debates públicos sobre o tema.
O material é utilizado por estudantes, pesquisadores, jornalistas e profissionais que acompanham discussões relacionadas à preservação ambiental e ao futuro da pesca na região.
*Com informações da assessoria de imprensa da Embrapa Pantanal.
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