Armada Boliviana conheceu Sistema de Monitoramento por Inteligência Artificial utilizado pelo IHP.
(Foto: Divulgação/IHP)
Uma cooperação técnica internacional selou uma nova estratégia de defesa para o Pantanal e o Chaco na região de fronteira entre Brasil e Bolívia. O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e a Armada Boliviana consolidaram uma parceria estratégica focada na prevenção de incêndios florestais e no uso de tecnologias de ponta. O intercâmbio técnico ocorreu nesta terça-feira, 12 de maio, com duração de 6 horas. O encontro acontece em um momento crítico, sob a vigência de um decreto federal brasileiro de estado de emergência para o Pantanal, motivado pela previsão de severa estiagem entre abril e dezembro de 2026.
A iniciativa visa sanar o histórico recente de desastres na região. Em 2024, a Bolívia enfrentou o pior cenário de queimadas de sua história. O desastre levou a força naval do país a assumir o protagonismo nas ações de resposta ambiental. Por meio do seu Centro Nacional de Formación para Expertos en Desastres Naturales, a corporação já capacitou 600 pessoas. Atualmente, um grupo de 32 oficiais cumpre um ciclo de formação de seis semanas, incluindo a imersão nas metodologias de vanguarda aplicadas pelo IHP no ecossistema pantaneiro.

Tecnologia e Inteligência Artificial Contra os Incêndios
O pilar central da cooperação é o monitoramento compartilhado e precoce para proteger extensos corredores de biodiversidade. Os sistemas cobrem áreas fundamentais de ambos os lados da fronteira:
- No Brasil: A Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (Rede Amolar), localizada no município de Corumbá (MS).
- Na Bolívia: As Áreas Naturais de Manejo Integrado San Matías (abrangendo Puerto Quijarro, San Matías e San Ignácio de Velasco) e Otuquis (em Puerto Suárez e Puerto Quijarro).
Durante o encontro, o IHP apresentou aos oficiais o uso de Inteligência Artificial (IA) para a identificação precoce de focos de calor, utilizando a tecnologia do Sistema Pantera — desenvolvida em parceria com a startup Um Grau e Meio. Além das ferramentas digitais, os militares bolivianos participaram de uma oficina prática voltada ao resgate de animais selvagens em cenários de desastre, visando mitigar a perda de biodiversidade em campo.
Desburocratização e Combate Binacional
Além do ganho técnico, o acordo busca consolidar avanços na diplomacia ambiental. O principal objetivo de longo prazo é a criação de mecanismos legais que reduzam as barreiras burocráticas entre os dois países em momentos de crise. Com leis coordenadas, brigadistas, equipamentos e recursos poderão transitar pela fronteira com agilidade para conter o avanço do fogo.
Conforme destacado por Angelo Rabelo, diretor-presidente do IHP, a conservação ambiental não reconhece divisões políticas. A união entre o conhecimento científico da ONG e a capacidade operacional da Armada Boliviana é vista como o caminho mais eficaz para proteger um dos maiores patrimônios biológicos do planeta. O Capitão de Fragata José Martín Torrico Bravo reiterou que o treinamento amplia a prontidão das tropas, capacitando-as para agir corretamente inclusive no manejo da fauna silvestre durante o combate aos incêndios florestais.
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