Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
Meio Ambiente

Peixes resgatados da decoada fortalecem pesquisas científicas no Bioparque Pantanal

16 abr 2026 - 08h47   atualizado às 08h56

Gesiane Sousa

Peixes resgatados da decoada fortalecem pesquisas científicas no Bioparque Pantanal Peixes resgatados da decoada no rio Miranda. (Foto: Eduardo Coutinho)

Uma força-tarefa composta por biólogos, veterinários e zootecnistas do Bioparque Pantanal realizou, no mês de fevereiro, uma expedição estratégica à região do Passo do Lontra, no Rio Miranda. O objetivo principal foi o resgate de peixes impactados pela decoada, um fenômeno natural que altera drasticamente as condições físico-químicas da água e ameaça a vida aquática no Pantanal.

A decoada ocorre quando o nível dos rios sobe e a água invade as planícies, entrando em contato com matéria orgânica (folhas e galhos) em decomposição. Segundo o biólogo-curador Heriberto Guimenes Júnior, a intensa atividade bacteriana nesse processo consome o oxigênio dissolvido na água, tornando-a imprópria para muitas espécies. "Ocorre uma mortandade significativa, principalmente daqueles peixes que não conseguem se deslocar rapidamente para áreas com melhores condições", explica Heriberto.

Durante a expedição, a equipe focou em indivíduos debilitados, mas ainda vivos. Entre as espécies resgatadas estão os cascudos (Loricaria spp. e Pseudohemiodon spp.) e os bagres (Amaralia spp.), conhecidos por sua vulnerabilidade a essas alterações ambientais.

Ao chegarem ao Bioparque, em Campo Grande, os animais não foram apenas soltos nos tanques. Eles foram submetidos a um rigoroso protocolo de quarentena, onde profissionais monitoram diariamente o estado clínico e nutricional de cada exemplar para garantir sua plena recuperação.

Ciência e Conservação

Além do caráter humanitário de salvar os animais, a iniciativa alimenta um robusto projeto de pesquisa científica. O monitoramento desses peixes reabilitados fornece dados preciosos sobre a taxa de sobrevivência e o comportamento das espécies pós-decoada.

Para a diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, o trabalho reforça o papel da instituição como centro de produção de conhecimento. "Damos a eles uma nova chance de sobrevivência e, ao mesmo tempo, transformamos esses indivíduos em fonte de aprendizado. É a união entre cuidado e ciência aplicada para estratégias mais eficazes de conservação da ictiofauna pantaneira", afirma.

Os dados coletados devem, em breve, se tornar publicações científicas que ajudarão a comunidade acadêmica a entender melhor as dinâmicas naturais do Pantanal e a proteger sua biodiversidade de forma mais assertiva.

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