Trecho da Fundação Bradesco, onde fica inacessível durante o período de cheia no Pantanal.
(Foto: Enviada ao Capital do Pantanal)
O isolamento logístico ameaça novamente a região sudoeste de Mato Grosso do Sul (MS). Através da UPPAN (União dos Produtores Rurais do Pantanal do Nabileque), fazendeiros da região intensificam a mobilização para cobrar a reconstrução de infraestruturas vitais: as pontes da Vazante do Relógio e do Rio Naitaca.
As estruturas que serviam de desvio na região foram consumidas pelo fogo que atingiu o bioma entre 2020 e 2022. Desde então, o acesso às fazendas tornou-se uma gincana logística. O fazendeiro João Paulo Napoli relata que o caminho principal, via Bonito e Rio Naitaca, fica alagado no período de cheia, forçando um desvio por Miranda que aumenta o percurso em cerca de 140 quilômetros.
“Quando vêm as chuvas da serra, a água desce pelo Naitaca e enche o desvio. Tem que passar de barco, deixar o carro e procurar trator do outro lado”, lamenta o produtor.
O temor principal é que a Vazante do Relógio, único acesso atual de terra e sem tubulação adequada, não suporte o volume de água se houver uma cheia maior vinda de outros estados, deixando a região completamente inacessível por terra.
Agesul aguarda aval ambiental para iniciar obras
Procurada pela redação, a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) informou que as novas pontes de concreto para a região do Nabileque, Vazante do Relógio e Rio Naitaca, já estão em fase final de projeto. As obras foram contratadas na modalidade integrada (projeto + execução) e a ordem de início foi assinada em janeiro de 2026. No entanto, o cronograma físico depende da emissão das licenças pelo Imasul.
O Capital do Pantanal entrou em contato com o Imasul para questionar o status atual desses processos de licenciamento e se há uma previsão para a emissão das autorizações, dada a urgência da situação enfrentada pelos pantaneiros. Até o fechamento desta matéria, o Imasul não respondeu aos questionamentos.
Histórico de destruição
Vale lembrar que as pontes de madeira originais foram reconstruídas em 2022 após os grandes incêndios do Pantanal, mas as estruturas provisórias voltaram a ser atingidas pelo fogo posteriormente. A promessa atual é a substituição por pontes de concreto, que são mais resistentes a desastres ambientais e garantem a segurança do escoamento da produção e do tráfego local.
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