Bombeiros combatem incêndios no Pantanal de MS.
(Foto: Bruno Rezende/Secom/Arquivo)
O retorno do fenômeno climático El Niño em Mato Grosso do Sul deve intensificar o risco de incêndios florestais em 2026, com impacto direto nos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Segundo o Cemtec-MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), a previsão indica temperaturas acima da média e chuvas irregulares, especialmente a partir do segundo semestre.
Embora o trimestre atual (fevereiro a abril) apresente condições de neutralidade, a meteorologista Valesca Fernandes explica que o indício de retorno do fenômeno coincide com o período de seca. "Altas temperaturas, ondas de calor e baixa umidade relativa do ar podem intensificar drasticamente as ocorrências de fogo", alerta a especialista.
Impacto do El Niño no Pantanal e Cerrado
O fenômeno interfere no regime de ventos e chuvas, que devem permanecer abaixo da média histórica. Mesmo com o alívio das chuvas em fevereiro, o déficit hídrico acumulado desde janeiro mantém o Estado em nível de atenção. O El Niño deve se desenvolver entre o fim do outono e o início do inverno, preparando um cenário crítico para o período de estiagem.
Para mitigar os riscos, o Governo do Estado utiliza dados consolidados do INMET e da Agência Nacional de Águas (ANA) para planejar as ações de resposta.
Estrutura de Resposta: Operação Pantanal 2026
Diante da ameaça climática, Mato Grosso do Sul já mobiliza uma estrutura de resposta ágil. O Corpo de Bombeiros Militar de MS conta com:
- Tecnologia de Ponta: Monitoramento via satélite, drones e georreferenciamento para detecção precoce de focos.
- Mobilização Aérea e Terrestre: Aeronaves para combate em locais de difícil acesso e bases avançadas estrategicamente instaladas no Pantanal.
- Efetivo Qualificado: Mais de mil brigadistas formados e quase 1,3 mil militares mobilizados em ciclos operacionais.
Resultados de Prevenção
O trabalho preventivo tem mostrado eficácia. Na Operação Pantanal 2025, a área queimada foi reduzida para 202,6 mil hectares, um número expressivamente menor que os 2,3 milhões de hectares registrados em 2024. "Conseguimos combater muitos focos antes mesmo do registro por satélite", afirma o major do Corpo de Bombeiros, Eduardo Tracz.
A conscientização da população e o manejo preventivo do fogo continuam sendo os pilares para evitar que o El Niño de 2026 repita os recordes de incêndios de anos anteriores.
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