Dados de satélite e parcerias com produtores embasam medidas para conter futuros incêndios no Pantanal.
(Foto: Decom / MPMS)
O avanço dos incêndios no Pantanal sul-mato-grossense em 2024 acendeu um sinal de alerta entre autoridades ambientais. De janeiro a junho, foram registrados 234 focos de incêndio, que atingiram diretamente cerca de 830 propriedades e destruíram aproximadamente 1,74 milhão de hectares, segundo dados do Centro de Apoio do Meio Ambiente (Caoma), a partir de análises do Núcleo de Geotecnologias (Nugeo).
Diante da gravidade da situação, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Núcleo Ambiental, tem reforçado as atividades do “Programa Pantanal em Alerta”, criado para ampliar a resposta às queimadas. A proposta envolve identificação de áreas críticas, articulação com órgãos de combate ao fogo e estímulo à prevenção com o envolvimento direto de proprietários rurais.
Para o Promotor de Justiça e Coordenador do Núcleo Ambiental, Luciano Furtado Loubet, os números evidenciam a urgência de unir esforços. “75% de tudo que queimou no Pantanal do Mato Grosso do Sul iniciou em propriedade privada, então isso demonstra que a gente precisa trabalhar em parceria com os proprietários para evitar esses incêndios”, declarou. Ele acrescentou que muitos donos de terras acabam sendo vítimas das chamas que surgem em imóveis vizinhos.
Dados do FIRMS ajudam autoridades a localizar e monitorar focos de calor. Foto: Decom / MPMSPensando em 2025, o MPMS já mapeou 357 propriedades consideradas de alto risco, com base em critérios técnicos como histórico de queimadas, capacidade de regeneração e proximidade de áreas protegidas. Esse levantamento servirá como base para ações coordenadas que vão desde fiscalização até orientações e medidas preventivas antes do início da seca. O plano conta com apoio da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa/UFRJ).
O enfrentamento aos incêndios também tem contado com a colaboração de diversas instituições, entre elas a Semadesc, Sejusp, Corpo de Bombeiros, Ibama, Defesa Civil, Polícia Militar Ambiental e Instituto de Perícias Criminais. Essa atuação conjunta tem sido fundamental para respostas mais ágeis e eficientes diante dos focos de calor.
Atuação no combate ao fogo. Foto: Decom / MPMSOutro ponto-chave do programa é o uso de tecnologia. Por meio do Sistema Pantanal em Alerta, o MPMS recebe dados quase em tempo real do sistema FIRMS (Fire Information for Resource Management System), da Nasa. Cada foco de calor identificado gera automaticamente alertas por e-mail e SMS enviados a proprietários rurais e brigadistas cadastrados, permitindo uma ação rápida e coordenada no combate ao fogo.
O MPMS pretende intensificar as ações preventivas já no primeiro semestre de 2025, com foco especial nas áreas mais vulneráveis. A população também pode colaborar denunciando irregularidades ambientais por meio da Ouvidoria disponível no site do órgão ou em instituições parceiras. Todas as denúncias são analisadas e podem resultar em investigações e medidas legais.*Com informações do MPMS.
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