Funcionário com problemas no trabalho.
(Foto: Reprodução/G1)
O crachá sobre a mesa de cabeceira, antes símbolo de estabilidade, passou a ser gatilho de ansiedade. A cena reflete uma realidade alarmante em Mato Grosso do Sul: o estado registrou um salto expressivo de cerca de 9 mil afastamentos em 2024 para mais de 15 mil casos em 2025. Na prática, isso significa que um trabalhador é afastado por questões psicológicas a cada 54 minutos no estado.
Este cenário local está inserido em um contexto nacional crítico. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil superou 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, o maior número da série histórica. Ansiedade e depressão lideram os diagnósticos, evidenciando o impacto da sobrecarga emocional e da pressão por desempenho no ambiente laboral.
O Rosto por Trás das Estatísticas
A gravidade dos números ganha forma na história de um trabalhador do setor de serviços, de 32 anos, que precisou se afastar por crises de ansiedade após anos de metas e cobranças diárias. "Eu comecei a perder o sono, vivia em função do trabalho. Chegou um ponto em que meu corpo não respondeu mais", relata o profissional, que preferiu não se identificar. Segundo ele, o afastamento escancarou a falta de suporte: “Ninguém perguntou como eu estava. Só quando eu parei é que perceberam”.
Para a psicóloga clínica Giovana Guzzo Freire, o fenômeno revela o impacto da atual organização da vida produtiva. "Metas inalcançáveis e a lógica de comparação permanente geram sofrimento psíquico", explica, ressaltando que a psicoterapia é fundamental para ressignificar a relação com o trabalho.
A psicóloga Aletânia reforça que as empresas ainda falham em reconhecer a saúde mental como um risco ocupacional. “Sem políticas internas consistentes, o problema se repete e tende a se agravar”, alerta a especialista.
Abril Verde e a Legislação em MS
O aumento dos casos ocorre durante o Abril Verde, campanha dedicada à segurança no trabalho que, em Mato Grosso do Sul, foi instituída pela Lei nº 5.196/2018, de autoria do deputado Junior Mochi (MDB). A lei também define o dia 28 de abril como o Dia Estadual em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
De acordo com o parlamentar, o desafio atual é transformar a conscientização em prática efetiva. “O trabalho digno precisa ser seguro. É preciso engajamento coletivo e compreensão de que a prevenção é o melhor caminho”, afirma Mochi. Além do sofrimento humano, o impacto é econômico: a OIT estima perdas globais de US$ 1 trilhão ao ano em produtividade devido a transtornos mentais.
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