Prédio da Justiça Eleitoral em Corumbá.
(Foto: Divulgação)
Após anos de tratativas junto ao Ministério Público Federal (MPF), enfim os moradores da região do Paiaguás, no Pantanal de Corumbá, estão mais próximos de conquistarem a instalação de uma seção eleitoral na região. A partir da manifestação 20230085978, registrada em 2023 pelo IMNEGRA (Instituto da Mulher Negra do Pantanal), servidor do Cartório Eleitoral de Corumbá irá viajar até a região pantaneira para realizar vistoria técnica na Escola Sebastião Rolon, local idealizado para receber a futura seção eleitoral.
De acordo com informações da 50ª Zona Eleitoral de Corumbá, esse é o primeiro procedimento para analisar a viabilidade, técnica e orçamentária, da instalação da seção eleitoral na região de difícil acesso no Pantanal. A partir dessa vistoria, a justiça eleitoral irá avaliar se a unidade educacional poderá ser usada como local de votação.
A garantia do direito de voto das populações tradicionais do Pantanal — como ribeirinhos, indígenas e comunidades quilombolas — é um pilar de justiça social e preservação ambiental. Em uma região onde as decisões políticas impactam diretamente o uso da terra e das águas, o voto é a ferramenta que garante a essas comunidades voz ativa na gestão do território.
A partir do voto, as populações tradicionais do Pantanal conquistam voz e visibilidade para participar do processo da escolha de representantes políticos comprometidos com a sustentabilidade e com a proteção contra ameaças como o desmatamento ilegal e o uso predatório dos recursos hídricos. O voto é, portanto, uma forma de proteção do seu modo de vida e da natureza.

Ao Capital do Pantanal, Ednir detalha que o exercício do voto combate a invisibilidade social. “Para o ribeirinho ou o indígena, votar significa reafirmar sua existência perante o Estado. É o momento em que as demandas locais — como a regularização fundiária ou o apoio à pesca artesanal — entram na pauta dos governantes”, diz.
Outras demandas
A instalação de seções eleitorais na região do Paiaguás — ainda sob análise — é apenas uma das demandas apresentadas na manifestação do IMNEGRA ao Ministério Público Federal. O documento original, apresentado em 2023, foi atualizado por meio do ofício 035/2026 do Instituto, protocolado na última sexta-feira, 13 de março, no órgão federal. Um novo abaixo assinado foi entregue exigindo providências urgentes para atender as necessidades da região.
No documento fica claro, que até o presente momento, nenhuma medida efetiva, capaz de amenizar o sofrimento das populações tradicionais da região, foi tomada pelo poder público. Ribeirinhos, indígenas e quilombolas seguem enfrentando condições extremamente precárias e violações de direitos básicos, diz o relatório.
Entre as reivindicações do IMNEGRA ao MPF estão:
- Ausência de acessibilidade regular à área urbana de Corumbá (MS);
- Dificuldades graves de deslocamento, agravadas em períodos de cheia e chuvas intensas;
- Ausência ao precariedade de serviços públicos essenciais (saúde, educação, transporte, assistência social);
- Situações recorrentes de vulnerabilidade social e exploração econômica;
- Isolamento territorial que compromete a dignidade, segurança e sobrevivência das comunidades.
Apoio da Câmara Municipal
Em um segundo ofício nº 036/2026, encaminhado ao presidente da Câmara Municipal de Corumbá, Ubiratan Canhete Filho, Bira, o IMNEGRA compartilha a manifestação feita ao Ministério Público Federal e pede o apoio da Casa de Leis na realização de uma Audiência Pública, com máxima urgência, com a participação das comunidades do Paiaguás-Taquari, representantes do poder público municipal, estadual e federal, bem como demais instituições competentes para discutir possíveis ações para atender as necessidades da região.
Nota de Esclarecimento
A presente matéria foi atualizada às 14h50 do dia 18 de março para corrigir informações esclarecidas pela 50ª Zona Eleitoral.
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