Para secretaria estadual de saúde, a expansão dos LARCs tem impacto direto na redução.
(Foto: Sesa e Arquivo SES)
Mato Grosso do Sul gastou R$ 934 milhões com saúde entre maio e agosto deste ano, quase R$ 107 milhões a mais do que no mesmo período de 2025. O aumento foi de 12,95% em um ano e ocorreu em meio à ampliação de atendimentos no interior, enquanto uma parcela considerável dos recursos continua destinada à manutenção da própria estrutura da saúde pública.
Os números fazem parte da prestação de contas do segundo quadrimestre apresentada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). No mesmo período de 2025, os pagamentos haviam somado R$ 826,9 milhões. Em 2024, foram R$ 774,5 milhões.
Somando os oito primeiros meses de 2026, os pagamentos já alcançam R$ 1,61 bilhão. Desse total, R$ 1,32 bilhão saiu de recursos estaduais. O valor empenhado, que corresponde às despesas assumidas pelo poder público e que podem ainda estar em diferentes etapas de pagamento, chegou a R$ 2,01 bilhões no acumulado do ano.
A distribuição do dinheiro ajuda a mostrar o peso da manutenção da rede dentro desse orçamento. No segundo quadrimestre, 28,07% dos desembolsos foram destinados ao custeio da Secretaria, incluindo despesas como energia, água e locação de equipamentos. Outros 20,35% corresponderam a pessoal e encargos sociais. Transferências para instituições privadas sem fins lucrativos representaram 16,99%.
Durante a apresentação, o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, chamou atenção justamente para essas despesas. Segundo ele, aproximadamente metade dos recursos está ligada aos custos necessários para manter a estrutura funcionando, o que exige controle para preservar espaço no orçamento destinado a investimentos.
Parte dos recursos também aparece na ampliação da oferta de procedimentos fora dos maiores centros. A Política Estadual de Financiamento Hospitalar (PEHOSP), voltada ao fortalecimento dos hospitais e à redução da necessidade de deslocamento de pacientes, envolveu 21 hospitais de 20 municípios entre janeiro e junho. Foram 6.263 procedimentos incentivados e R$ 13,94 milhões aplicados no período. A produção mensal passou de 553 procedimentos em janeiro para 1.290 em junho.
A descentralização tem peso maior para municípios distantes dos principais centros hospitalares do Estado, caso de Corumbá. Segundo a SES, a proposta é permitir que procedimentos de pequena e média complexidade sejam realizados mais perto de onde os pacientes vivem, reduzindo a necessidade de transferências para cidades com estruturas maiores. A prestação de contas registra investimentos e entrega de equipamentos em hospitais de diferentes municípios, entre eles Corumbá, mas o balanço apresentado não discrimina quanto do total de R$ 934 milhões chegou especificamente à cidade.
Entre maio e agosto, a auditoria contabilizou cerca de 7,9 milhões de procedimentos ambulatoriais e 18.429 internações. O número de internações ficou abaixo do registrado no quadrimestre anterior. Durante a audiência, Maurício Simões relacionou a redução ao aumento da oferta de procedimentos e ao atendimento de parte da demanda que estava represada, mas ponderou que os motivos para a queda ainda precisam ser analisados.
Mato Grosso do Sul tem 94 estabelecimentos de saúde cadastrados na estrutura apresentada pelo Estado e 10.174 profissionais vinculados ao SUS. A assistência farmacêutica especializada atende 42.338 pacientes nos 79 municípios, enquanto 78 cidades já contam com teleconsulta.
O relatório detalhado do segundo quadrimestre deve ser encaminhado ao Ministério da Saúde até 30 de setembro e ficará disponível nos sistemas de transparência estadual e federal.
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