Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026
Economia

Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos internacionais

10 ago 2026 - 16h24   atualizado às 16h31

Victoria Mondego

Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos internacionais Pix se consolidou como principal meio de pagamento no Brasil. (Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

O Banco Central (BC) estuda conectar o Pix a sistemas de pagamentos de outros países e a mecanismos multilaterais de pagamentos instantâneos. A proposta pode reduzir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais, permitindo que remessas e compras no exterior tenham os recursos disponibilizados em moeda local em poucos segundos.

“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais”, informou o BC. A autoridade monetária também acompanha modelos de transações internacionais com uso do Pix que já vêm sendo implementados por empresas brasileiras e estrangeiras.

A agenda de novas funcionalidades foi divulgada nesta segunda-feira (10), no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025. Entre as novidades em estudo estão pagamentos por aproximação mesmo sem conexão com a internet e a expansão do Pix Automático, que poderá substituir o débito em conta em pagamentos recorrentes.

Também está em análise a integração do Pix ao mercado de crédito. A proposta prevê o uso dos chamados “fluxos futuros de Pix” como garantia para financiamentos. Segundo o BC, a solução pode melhorar a qualidade das garantias e reduzir o custo do crédito, especialmente para empresas que movimentam valores com frequência pelo sistema.

Outro ponto identificado pela autoridade monetária foi o uso abusivo do campo de mensagens das transferências. Criado para registrar informações sobre os pagamentos, o espaço tem sido utilizado para ofensas, ameaças e intimidações, muitas vezes acompanhadas de transferências de valores irrisórios.

Um grupo de trabalho foi criado para discutir alternativas. A partir das conclusões, o BC poderá estabelecer medidas para impedir o uso inadequado das mensagens.

A segurança das operações também terá novas regras. Entre as oito medidas previstas está a criação de critérios objetivos mínimos para identificar transações suspeitas de fraude. Atualmente, cada instituição financeira define seus próprios parâmetros, o que, segundo o BC, gera diferenças na forma de análise e pode permitir a autorização de operações que deveriam passar por uma avaliação mais rigorosa.

Também será desenvolvido um indicador de “probabilidade de fraude no Pix”, calculado em tempo real para as transações. O sistema utilizará inteligência artificial e aprendizado de máquina para identificar operações com maior risco e fornecer essas informações às instituições participantes.

A agenda prevê ainda a padronização dos alertas de fraude já utilizados por algumas instituições e a criação de um fluxo mais rápido para o compartilhamento de informações durante bloqueios cautelares. A intenção é facilitar a identificação de operações suspeitas e aumentar a precisão na prevenção de golpes.

Outra mudança será a ampliação das medidas cautelares disponíveis. Entre as possibilidades está a restrição ao cadastro de novas chaves Pix de instituições que possam colocar em risco o funcionamento do sistema.

O Pix também entrou nas discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano citou o sistema como uma das justificativas para medidas tarifárias anunciadas contra produtos brasileiros, sob o argumento de que o mecanismo representaria uma prática desleal no mercado financeiro. A acusação é contestada pelo governo brasileiro.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que o interesse dos Estados Unidos pelo Pix também está relacionado à autonomia da infraestrutura brasileira de pagamentos. Por não depender do controle norte-americano, o sistema reduz a possibilidade de uso de mecanismos financeiros externos, como sanções, para pressionar o Brasil.

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