Sexta-feira, 20 de Março de 2026
Economia

Citricultura injeta R$ 2,4 bilhões e diversifica base produtiva em MS

05 jan 2026 - 05h06   atualizado em 03/03/2026 às 09h33

Gesiane Sousa

Citricultura injeta R$ 2,4 bilhões e diversifica base produtiva em MS MS conta com mais de 7 milhões de mudas implantadas e a meta de alcançar 50 mil hectares de pomares formados até 2030. (Foto: Mairinco de Pauda/Semadesc)

Com investimentos estimados em R$ 2,4 bilhões e cerca de 35 mil hectares de projetos já prospectados, a citricultura avança de forma acelerada em Mato Grosso do Sul e se consolida como uma das principais apostas do agronegócio estadual para diversificação econômica, geração de renda e atração de novos empreendimentos.

Atualmente, o Estado já conta com mais de 7 milhões de mudas implantadas e a meta de alcançar 50 mil hectares de pomares formados até 2030, ampliando de forma significativa sua participação na produção nacional de laranja.

Embora ainda não figure entre os maiores produtores do país — ranking liderado por São Paulo, responsável por cerca de 78% da produção nacional, seguido por Minas Gerais, Paraná e Bahia — Mato Grosso do Sul vive um processo consistente de expansão da atividade, apoiado em disponibilidade de terras, clima favorável, logística estratégica e segurança jurídica.

Nos últimos anos, grandes grupos citrícolas nacionais passaram a direcionar investimentos robustos para o Estado. Um dos principais exemplos é o projeto da Cutrale, que já possui grande parte dos seus 5 mil hectares plantados em Sidrolândia e tem previsão de atingir até 8 milhões de caixas por safra quando os pomares entrarem em plena produção.

Além da Cutrale, outros importantes empreendimentos vêm ampliando sua presença em Mato Grosso do Sul, como Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco, Grupo Junqueira Rodas, além de diversos produtores independentes que apostam na diversificação produtiva e no potencial da citricultura sul-mato-grossense.

Para o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o avanço da citricultura no Estado é resultado de uma estratégia estruturada, que alia investimentos privados a políticas públicas focadas em sanidade, capacitação e ambiente de negócios.

“A citricultura representa uma nova fronteira agrícola para Mato Grosso do Sul. O Estado construiu uma base sólida de segurança jurídica e sanitária, com ações firmes na defesa agropecuária, capacitação de profissionais e parceria com instituições como o Fundecitrus. Isso tem dado confiança aos investidores e criado condições para um crescimento sustentável da atividade”, destacou Verruck.

O fortalecimento da cadeia produtiva conta ainda com ações de apoio técnico e institucional da Semadesc, incluindo a ampliação da defesa agropecuária, capacitações, além da atuação integrada com municípios e o setor produtivo para garantir sanidade e produtividade aos pomares.

Reconhecimento

O potencial do Estado também é reconhecido pelos investidores. Proprietário da Fazenda Paraíso, em Três Lagoas, Eduardo Sgobi ressalta a singularidade da iniciativa governamental e a qualidade do solo sul-mato-grossense.

“Considero essa iniciativa governamental singular. Não conheço outra unidade da federação que esteja implementando algo semelhante. A qualidade do solo é impressionante. São áreas de pastagens com mais de 30 anos, sem uso intensivo de fertilizantes, o que demonstra a vitalidade e o potencial produtivo para a citricultura”, afirmou.

A empresária Sarita Junqueira Rodas, do Grupo Junqueira Rodas, também destaca o ambiente favorável encontrado no Estado. O grupo iniciou o plantio em abril de 2024 e já planeja novos projetos.

“Estamos muito motivados com os investimentos em Mato Grosso do Sul. O Estado tem colaborado de forma decisiva para que os projetos sejam construídos com solidez desde o início, evitando problemas enfrentados em outras regiões. Hoje, nossos principais desafios são energia e mão de obra, mas acreditamos que isso será superado com capacitação”, explicou.

Segundo ela, a formação de mão de obra especializada tem sido construída desde o início, com destaque para a crescente participação feminina na atividade.

“Estamos treinando pessoas do zero, inclusive trabalhadores que nunca atuaram na agropecuária. Temos muitas mulheres interessadas e já contamos com várias tratoristas em nossa propriedade”, completou.

Tendência

O movimento evidencia uma tendência clara: mesmo ainda fora do topo do ranking nacional, Mato Grosso do Sul reúne condições técnicas, econômicas e institucionais para se tornar um dos principais polos citrícolas do país nos próximos anos, fortalecendo a economia regional e ampliando as oportunidades no campo.

"A citricultura já engrenou em MS. E para os próximos dois a três anos, o Estado vai trabalhar ainda mais para manter a sanidade, com a tolerância zero para o greening, retenção de mão de obra indígena, e redução do ICMS que para a saída da laranja é de 2%", salientou.

Verruck ainda lembrou que o setor tem hoje praticamente 100% da cultura irrigada. "Por isso as linhas do FCO continuarão sendo disponibilizadas para os investimentos no setor, principalmente na irrigação. Tudo isso para que futuramente, assim que o Estado tiver pelo menos 25 mil hectares de pomares em produção trazer a tão sonhada industrialização", finalizou.

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