Especialistas ambientais na COP 15.
(Foto: Wetlands International Brasil)
A preservação do Pantanal e do corredor ecológico formado pelo Sistema Paraguai–Paraná ganhou destaque central na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), realizada em Campo Grande. Nesta terça-feira (25), especialistas e autoridades federais debateram estratégias para fortalecer a governança das áreas úmidas, essenciais para a sobrevivência de espécies que cruzam fronteiras nacionais.
O painel, organizado em parceria pela Wetlands International Brasil e a Mupan (Mulheres em Ação no Pantanal), reforçou que a proteção dessas espécies depende diretamente da conectividade entre os ecossistemas da Bacia do Prata. “Espaços como este são estratégicos para alinhar compromissos internacionais às realidades dos territórios”, afirmou Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Governança e Participação Social
Um dos marcos celebrados durante o evento foi a retomada oficial do Comitê Nacional de Zonas Úmidas (CNZU). Desestruturado nos últimos anos, o comitê voltou a operar graças à mobilização da sociedade civil e de órgãos como o ICMBio. O CNZU funciona como um espaço de diálogo entre governo e cientistas para garantir que as políticas públicas alcancem efetivamente biomas complexos como o Pantanal.

A experiência do Programa Corredor Azul foi apresentada como um modelo de sucesso na articulação regional entre Brasil e Argentina. Segundo os debatedores, as áreas úmidas não devem ser vistas como barreiras, mas como impulsionadoras de conservação e qualidade de vida para as comunidades locais, incluindo povos indígenas e tradicionais.
Desafios e Futuro
O debate apontou a urgência de acelerar o mapeamento das zonas úmidas brasileiras para enfrentar pressões de grandes obras de infraestrutura e os efeitos das mudanças climáticas. A articulação entre a Convenção de Ramsar e a Convenção de Espécies Migratórias foi apontada como o caminho para garantir que os habitats permaneçam preservados a longo prazo.
Para as organizações envolvidas, o protagonismo do Pantanal na COP15 reafirma a posição do Brasil como líder na agenda de bioenergia e conservação ambiental, unindo ciência e prática territorial. *Com informações da Assessoria da Wetlands International Brasil
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