Silvia Vilalva, representante das mães atípicas de Corumbá, discursou na Câmara Municipal em defesa da causa.
(Foto: Reprodução)
Nesta quinta-feira, 2 de abril, Corumbá celebra o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, data instituída pela ONU para disseminar informações e combater o preconceito contra o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com o tema central "Autonomia se constrói com apoio", a campanha deste ano foca na criação de redes de suporte que permitam ao autista exercer seu papel na sociedade com dignidade e respeito às suas particularidades.
Um dos pilares da inclusão discutidos no município é a garantia de ambientes mais acolhedores e menos agressivos aos sentidos. Nesse contexto, ganha força o projeto de lei municipal de autoria do vereador Matheus Cazarin, que solicita a proibição do manuseio, queima e soltura de fogos de artifício com estampido em Corumbá. A proposta é uma demanda antiga de famílias de pessoas com TEA, que frequentemente sofrem com crises severas de pânico e estresse devido à hipersensibilidade auditiva.
A legislação em debate foca nos artefatos que produzem barulho ruidoso de alta intensidade, permitindo apenas os fogos de efeitos visuais (os chamados "fogos silenciosos"). Para pais e especialistas locais, a medida é um passo civilizatório essencial, protegendo não apenas os autistas, mas também idosos, recém-nascidos e animais, que também são afetados pelo barulho extremo.
Na sessão ordinária de 27 de março, Silvia Vilalva, representante das mães atípicas de corumbá, ocupou a tribuna na Câmara Municipal, para defender a proposta. Silvia comoveu a todos com a leitura de uma carta que retratava a sua trajetória junto ao filho autista de 13 anos, uma história, que como a de muitas outras mães, é feita de constrantes e muita luta.
"Não estou aqui apenas como cidadã, estou aqui como mãe de um menino autista lindo, que hoje tem 13 anos. Inclusção não pode ser apenas um discurso político bonito em datas símbolicas, hoje as famílias atípicas que estão aqui apelam por um pedido urgente. São 13 anos vendo meu filho ter crises por causa dos barulhos de fogos de artifício, tentando acolher e acalmar, chorando silenciosamente, porque quando os fogos começam, dentro da minha casa não existe festa, existe desespero", desabafa Silvia.
Além da discussão do projeto de lei que segue em pauta na Câmara Municipal, Silvia ressalta a necessidade de melhorar as políticas públicas de acolhimento ás famílias at-ípicas da região.
"Precisamos de políticas públicas reais: atendimento humanizado, rede de apoio para as mães e, principalmente, acesso digno às terapias para nossos filhos. Hoje, Corumbá conta com apenas uma neuropediatra, o que gera demora nas consultas, atrasos no diagnóstico e prejuízos no desenvolvimento das nossas crianças. Que esta data não fique apenas em palavras, mas que surjam ações concretas, respeito e compromisso com todas as famílias atípicas, conclui."
Durante todo esse mês, diversas instituições e escolas de Corumbá realizam atividades de conscientização no mês conhecido como "Abril Azul". O objetivo é transformar a informação em atitude, garantindo que o apoio à autonomia seja uma prática cotidiana em toda a Cidade Branca.
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