Rodrigo Paz, presidente da Bolívia.
(Foto: Reprodução)
Em meio ao avanço das manifestações e ao aumento da pressão popular, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou a redução de 50% no próprio salário e também nos vencimentos dos ministros. A medida foi divulgada durante um pronunciamento em Sucre e ocorre enquanto o país enfrenta uma das maiores crises políticas dos últimos meses.
Ao justificar a decisão, Paz afirmou que o corte busca demonstrar alinhamento do governo com o cenário enfrentado pela população. “Quero informar que este presidente, juntamente com seus ministros, tomou a decisão, como parte do nosso compromisso com o país, de reduzir nossos salários em 50%, para que seja uma demonstração clara de que a Bolívia tem um presidente e ministros que se unirão a esse esforço”, declarou.
Segundo o presidente, a mudança não atingirá outras categorias do funcionalismo público. “Nossos salários serão reduzidos em 50%, e não queremos prejudicar outras áreas ou profissionais, porque temos profissionais muito bons”, afirmou.
Rodrigo Paz também comentou sobre as dificuldades do governo em manter profissionais qualificados no serviço público devido à baixa remuneração oferecida em diferentes setores do Estado. “Não vamos prejudicá-los com uma redução salarial se não quisermos ter os melhores homens e mulheres trabalhando conosco”, acrescentou.
Os protestos chegaram ao 25º dia consecutivo e se espalham por diferentes regiões bolivianas. Em La Paz, manifestantes ligados à Central Operária Boliviana e movimentos camponeses intensificaram os atos pedindo a saída do presidente, que assumiu o cargo em novembro de 2025.
Dados da Administração Boliviana de Rodovias (ABC) apontam 54 bloqueios em estradas distribuídos por cinco departamentos do país. La Paz lidera o número de interrupções, seguida por Cochabamba, Potosí, Oruro e Santa Cruz.
As mobilizações começaram após reclamações envolvendo salários, qualidade do combustível e propostas econômicas apresentadas pelo governo, incluindo mudanças ligadas à reforma agrária e cortes em gastos públicos. Com o agravamento da crise, os atos passaram a concentrar críticas diretas à permanência de Rodrigo Paz no poder.
*Com informações da Unitel TV e jornal El Deber.
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