Especialista aponta que quanto mais tempo em frente às telas, maiores são os riscos de prejuízos cognitivos, emocionais e físicos.
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
Com a rotina cada vez mais acelerada e a presença constante da tecnologia no dia a dia, é comum que tablets, celulares e TVs sejam usados como recurso para entreter crianças. Mas o que parece inofensivo — ou até educativo — pode trazer consequências significativas para o desenvolvimento infantil. Segundo a pediatra Dra. Mariana Bolonhezi, o uso excessivo de telas afeta múltiplas áreas: do sono à fala, da empatia à coordenação motora.
“É importante entender que os efeitos variam de acordo com a idade da criança, o tempo de exposição e o conteúdo consumido”, explica a médica. “Mas, de maneira geral, quanto mais tempo em frente às telas, maiores os riscos de prejuízos cognitivos, emocionais e físicos.”
Entre os efeitos cognitivos, a especialista destaca o atraso na fala, a diminuição do vocabulário e a redução da concentração e atenção. “A criança aprende muito mais com a interação humana do que com estímulos digitais. O olhar, a voz, o toque e a troca são insubstituíveis”, afirma a pediatra.
No campo socioemocional, os danos também são relevantes. O tempo excessivo de tela reduz a exposição a brincadeiras simbólicas e interações presenciais, o que dificulta, por exemplo, o reconhecimento de expressões faciais — um ponto fundamental para o desenvolvimento da empatia e da autorregulação emocional. “A convivência real, com familiares e outras crianças, ensina habilidades sociais que nenhuma tela consegue reproduzir.”
Já no aspecto físico, a consequência mais imediata é o sedentarismo. “A criança passa mais tempo sentada, se movimenta menos, o que compromete o desenvolvimento motor”, alerta a especialista. E o sono, tão essencial na infância, também sofre. A luz azul emitida pelos dispositivos reduz a produção natural de melatonina, prejudicando o início e a qualidade do sono, e deixando os pequenos mais agitados.
Dra. Mariana reforça que a chave está no equilíbrio. “O ideal é evitar o uso de telas por crianças menores de dois anos e, acima dessa idade, garantir que o tempo de exposição seja limitado, supervisionado e que o conteúdo tenha qualidade. Acima de tudo, o que mais contribui para o desenvolvimento saudável é o tempo de qualidade com os pais, com afeto, conversa e brincadeiras reais.”
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