Manifestantes protestam contra a escala 6x1 durante mobilização sindical.
(Foto: Fabiano Polayna/Siemaco-SP)
A mudança na jornada de trabalho avançou no Senado nesta quarta-feira (2). A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a PEC 221/2019, que propõe substituir a atual escala 6x1 por uma jornada de até 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.
A proposta ainda não altera a rotina dos trabalhadores. Antes de entrar em vigor, precisa passar pelo plenário do Senado em dois turnos e seguir as demais etapas previstas para uma mudança na Constituição.
Pelo texto aprovado na CCJ, a redução da jornada, hoje limitada a 44 horas semanais, seria feita de forma gradual ao longo de 14 meses. A medida também garante que a redução das horas trabalhadas não resulte em corte salarial.
A votação ocorreu de forma simbólica, com 27 senadores presentes. Quatro se posicionaram contra: Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).
Relator da proposta, Omar Aziz (PSD-AM) rejeitou as 36 emendas apresentadas durante a análise. Entre elas estavam sugestões para manter a escala 6x1, permitir jornadas superiores a 40 horas semanais e ampliar o período de transição para até quatro anos.
O debate na comissão foi marcado pela divergência sobre os efeitos econômicos da mudança. Rogério Marinho afirmou que a proposta não teve tempo suficiente de discussão e argumentou que a redução da jornada poderia elevar custos, aumentar a informalidade e afetar empregos. O senador defendeu um modelo com maior flexibilidade e negociação direta entre empregados e empregadores.
Uma tentativa de limitar a apenas um dia o descanso semanal remunerado também foi rejeitada pela CCJ.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) defendeu a aprovação da PEC e relacionou a redução da jornada às condições de trabalho, especialmente para mulheres que acumulam atividades profissionais e domésticas. Segundo ela, a mudança poderia contribuir para a saúde mental e para a produtividade.
Jaime Bagattoli também se posicionou contra a redução das 44 para 40 horas semanais. Ele citou dificuldades enfrentadas por empresas para preencher vagas e avaliou que uma jornada menor poderia elevar despesas sem garantir o mesmo nível de produção.
Omar Aziz rebateu os argumentos de que a medida provocaria um impacto insustentável na economia. Durante a discussão, lembrou que mudanças anteriores na legislação trabalhista, como a criação do 13º salário e a redução da jornada de 48 para 44 horas, também enfrentaram resistência.
O relator ainda criticou a possibilidade de deixar a definição da jornada exclusivamente para acordos individuais. Para Aziz, a diferença de poder de negociação entre patrões e trabalhadores torna mais adequada a negociação coletiva.
Por enquanto, a escala 6x1 continua valendo. A proposta precisa ser aprovada pelo plenário do Senado em dois turnos para continuar avançando no Congresso.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal
Leia Também
TRE-MS anula cassação de vereador de Corumbá e manda processo voltar para novo julgamento
Prefeitura de Corumbá lança licitação para nova quadra na Escola Cássio Leite de Barros
Vereador pede medidas de segurança para prevenir acidentes na ponte do Rio Paraguai
Cazarin propõe audiência pública para debater a transformação da Prainha do Porto Geral
Corumbá sedia reunião de integração de forças para reforçar segurança na fronteira
Estado decreta emergência após queda de ponte que matou caminhoneiro
CT ALFE é homenageado na Câmara após título nacional inédito
Desfile de aniversário pode ter pontos de hidratação em Corumbá
Moradores buscam apoio de vereador para pavimentação da Tancredo Neves