A declaração é do ministro do governo boliviano, Marco Antonio Oviedo.
(Foto: Divulgação)
O ministro do Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, anunciou que a Polícia Federal (PF) do Brasil instalará um escritório permanente e bases operacionais em território boliviano. A medida drástica visa conter a violenta disputa territorial entre as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Os dois grupos travam confrontos armados para dominar corredores estratégicos de escoamento de cocaína. O estopim para a decisão foi uma escalada de criminalidade que deixou nove mortos em apenas cinco dias na região de fronteira, incluindo o assassinato de um subtenente da polícia boliviana.
Durante o pronunciamento à imprensa, nesta segunda-feira, 03 de agosto, o ministro admitiu abertamente que o Estado boliviano enfrenta uma disparidade no poderio militar e de armamentos na comparação com os narcotraficantes. Segundo a autoridade, o cenário é reflexo de duas décadas de consolidação dessas organizações criminosas transnacionais no país andino. A presença da PF em solo boliviano cumpre as diretrizes de cooperação mútua firmadas em acordos bilaterais recentes entre os governos de Brasil e Bolívia. O plano de ação integrada também prevê que a Polícia Boliviana mantenha agentes infiltrados no Brasil para estabelecer um fluxo contínuo de inteligência em tempo real.
Como desdobramento imediato da crise, o governo boliviano ativará o plano emergencial "Fronteiras Seguras". O programa vai implantar rígidos mecanismos de repressão e fiscalização nas cidades consideradas as principais saídas de entorpecentes para o mercado internacional. O reforço policial e o monitoramento integrado vão se concentrar em pontos críticos como San Matías — local onde ocorreram chacinas e a emboscada contra as forças de segurança —, Puerto Suárez, Cobija e Guayaramerín. As operações de combate ao crime organizado no país já resultaram na destruição de 190 pistas de pouso clandestinas, apreensão de 300 toneladas de drogas e na expulsão de 17 líderes de facções.
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