Domingo, 11 de Outubro de 2026
Desdobramento

Com habeas corpus negado, Neno Razuk continua preso em MS

21 ago 2026 - 11h49   atualizado às 11h52

Gesiane S. Lourenço

Com habeas corpus negado, Neno Razuk continua preso em MS Neno Razuk na chegada ao Centro Penal Jardim Noroeste, em Campo Grande. (Foto: Reprodução)

A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou, por unanimidade, o pedido de habeas corpus do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), nesta quinta-feira, 20 de agosto.

Segundo o advogado de defesa, Ricardo Pereira, a defesa vai apresentar um recurso ordinário constitucional ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) assim que o acórdão for publicado, na tentativa de reverter a decisão.

Neno foi preso no dia 2 de agosto, na Bolívia, após ficar foragido da Justiça brasileira desde 8 de julho. Como o nome dele constava na Difusão Vermelha da Interpol, lista internacional de procurados, o ex-parlamentar foi entregue pelas autoridades bolivianas à Polícia Federal em Corumbá.

Ele chegou a Campo Grande no dia 3 de agosto e permanece preso na cidade.

Condenação e perda do foro privilegiado

Neno Razuk foi alvo da Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Denunciado à Justiça, ele foi condenado pela 4ª Vara Criminal a 15 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho.

A ordem de prisão foi expedida em 15 de dezembro de 2025. Na época, porém, ele não foi preso porque tinha imunidade parlamentar.

O cenário mudou em 21 de maio deste ano, quando, após a recontagem de votos das Eleições de 2022, Neno perdeu o mandato na Assembleia Legislativa para João César Mattogrosso e passou a responder ao processo sem foro privilegiado.

Investigação aponta esquema para controlar jogo do bicho

Além de Neno Razuk, o pai dele, Roberto Razuk, os irmãos Jorge e Rafael Razuk e outras 16 pessoas respondem à ação penal relacionada à 4ª fase da Operação Successione.

Segundo o Gaeco, o grupo teria montado um esquema para assumir o controle do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. As investigações apontam que a organização tentava ocupar o espaço deixado após a Operação Omertà, que desarticulou outro grupo que atuava no estado.

Ainda conforme as investigações, integrantes da organização participaram de três roubos em Campo Grande, em outubro de 2023, contra funcionários do grupo concorrente.

Durante o cumprimento de mandados em uma casa no Jardim Monte Castelo, apontada como base das operações, foram apreendidas mais de 700 máquinas usadas no jogo do bicho, além de celulares, computadores e planilhas. O MPMS estima que o grupo movimentava pelo menos R$ 600 mil por mês.

Nas buscas, os agentes também apreenderam R$ 274 mil e mais de mil euros em dinheiro. A pedido do Ministério Público, a Justiça bloqueou R$ 36 milhões em bens da família Razuk.

Fonte: G1 MS

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