Animal abrigada em casinho doada por vizinhos.
(Foto: PCMS)
A notícia do resgate de um animal debilitado pela Polícia Civil em Corumbá ganhou as páginas policiais nesta semana, mas o que verdadeiramente choca e emociona neste caso não é apenas a intervenção das autoridades, e sim a dinâmica de rejeição e solidariedade que acontecia nos bastidores daquele quintal. Um cão idoso, gravemente doente e visivelmente debilitado, só conseguiu resistir até a chegada do socorro porque uma rede invisível de vizinhos decidiu assumir o papel que cabia ao seu tutor.
Ao chegarem no endereço para checar o caso informado pelo Disque-Denúncia, os investigadores da 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá descobriram uma realidade desoladora: o primeiro cão alvo da denúncia já havia chegado a um estado tão irreversível de sofrimento que precisou ser recolhido pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para eutanásia. Foi ao estenderem as buscas para o imóvel vizinho que os policiais se depararam com o detalhe mais surpreendente da ocorrência.
Ali, encolhido em uma pequena casinha e exposto à chuva, estava outro cão idoso, com magreza extrema, infestação de parasitas e sinais claros de leishmaniose. Ao ser confrontado, o morador tentou se esquivar da culpa afirmando que o "bicho" não era dele. No entanto, as investigações revelaram o oposto: o animal estava, sim, sob sua responsabilidade, mas era ativamente rejeitado. O tutor se recusava a deixar o cachorro entrar na residência, condenando-o ao relento.
A reviravolta na sobrevivência do animal veio da própria vizinhança. Diante da crueldade e da omissão do responsável, os moradores da rua se cotizaram para tentar salvar o cachorro. A casinha onde o cão se abrigava da chuva não foi comprada pelo dono, mas doada por um vizinho. A comida que o mantinha de pé também vinha de mãos generosas da vizinhança, que se revezava para alimentá-lo ao notar que ele era privado de nutrição básica dentro de casa.
O desfecho da história trouxe justiça e um recomeço. O tutor foi oficialmente indiciado pelo crime de maus-tratos a animais — que para cães e gatos prevê reclusão de dois a cinco anos, além de multa e perda da guarda. Já o valente sobrevivente, foi retirado daquele ambiente hostil e entregue a uma organização de proteção animal, onde finalmente recebe o tratamento veterinário e o carinho que seus cuidadores temporários de rua tentaram, com tanto esforço, suprir.
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