Vereador Chicão Vianna na Câmara de Corumbá.
(Foto: Divulgação)
O que deveria ser uma data dedicada ao respeito e à dignidade da pessoa idosa transformou-se em um cenário de tensão política e constrangimento em Corumbá.
Na tarde desta quinta-feira, 1º de outubro, Dia Nacional do Idoso, o médico ginecologista Dr. Oséas Ohara de Oliveira, de 74 anos, pai do prefeito da cidade, Dr. Gabriel Alves de Oliveira, viu sua residência no bairro Aeroporto ser palco de uma manifestação política que terminou na Polícia Civil.
Segundo o Boletim de Ocorrência nº 4123/2026, registrado às 17h35, o candidato a deputado estadual e vereador, Chicão Vianna (Luis Francisco de Almeida Vianna), utilizou um trio elétrico denominado "Águia de Fogo", enquanto passava em frente à casa do médico, para realizar "diversas palavras e manifestações".
O documento policial revela um detalhe gravíssimo: Vianna, ciente de quem era o morador, teria proferido a frase: "Eu corro risco de até levar um tiro do Dr. Oséas", uma declaração que, segundo a vítima, configura uma provocação direta e injustificada.
A queda e as filmagens
O depoimento de Dr. Oséas, colhido na Delegacia de Polícia Civil de Corumbá, relata que, sentindo-se nervoso e ofendido com a movimentação e provocação na porta de casa, acabou caindo e sofrendo escoriações. O episódio foi registrado em vídeo e agora faz parte do inquérito.
Após o fato, a família entrou com representação criminal. O Dr. Oséas será submetido a exame de corpo de delito para comprovar oficialmente as lesões causadas pela queda.
O que a Lei diz e o que a Câmara precisa fazer
Os fatos narrados no B.O. 4123/2026, se confirmados na investigação, podem configurar crimes previstos no Estatuto do Idoso - Lei Federal 10.741/2003:
Art. 99 - Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso. Pena de 2 meses a 1 ano, podendo chegar a 4 anos em caso de lesão corporal grave.
Art. 96 - Expor o idoso a situação vexatória, humilhante ou constrangedora.
Não se trata de debate político. Trata-se de um idoso de 74 anos que caiu na porta da sua própria casa após provocação pública fazendo uso de um trio elétrico.
A Câmara Municipal de Corumbá tem o dever legal e moral de agir. A conduta descrita no boletim oficial fere o decoro parlamentar e exige apuração imediata. A sociedade corumbaense cobra providências e questiona se há motivos para um processo de cassação do mandato do vereador Chicão Vianna.
O caso agora está com a Polícia Civil.
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