Quinta-feira, 20 de Agosto de 2026
saúde

Mais de mil mortes por gripe e pneumonia acendem alerta em MS

07 mai 2026 - 15h46   atualizado às 17h29

Danielly Carvalho

Mais de mil mortes por gripe e pneumonia acendem alerta em MS Pessoa com sintomas gripais durante período de recuperação. (Foto: depositphotos.com /Subbotina)

O avanço de doenças respiratórias e infecções hospitalares segue preocupando autoridades de saúde em Mato Grosso do Sul. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Estado registrou, ao longo de 2025, 1.376 mortes por influenza e pneumonia, além de 54 óbitos relacionados ao coronavírus. Em todo o país, os números ultrapassaram 108 mil mortes.

Os dados fazem parte do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e reforçam um problema que especialistas consideram evitável em muitos casos: a falta de higienização adequada das mãos, prática considerada uma das principais barreiras contra a transmissão de vírus e bactérias dentro e fora das unidades de saúde.

Segundo o levantamento nacional, o Brasil contabilizou 105.873 mortes por influenza e pneumonia em 2025. No mesmo período, o coronavírus foi responsável por 2.550 óbitos.

Além das doenças respiratórias, mãos contaminadas também podem facilitar a transmissão de conjuntivite, catapora, hepatite A e outras infecções.

“Este simples gesto pode reduzir em até 40% o risco de infecções, como gripe, diarreia e conjuntivite” afirma a infectologista e consultora para ONA – Organização Nacional de Acreditação, Cláudia Vidal.

O cenário é ainda mais preocupante dentro dos hospitais. As chamadas Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) continuam sendo um desafio global, principalmente em unidades de terapia intensiva. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que até 30% dos pacientes internados em UTIs podem ser afetados por esse tipo de infecção.

Em países de baixa e média renda, o risco pode ser até 20 vezes maior. A estimativa da OMS é que, até 2050, infecções hospitalares e resistentes a medicamentos possam causar até 3,5 milhões de mortes por ano.

No Brasil, relatórios recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que houve melhora em alguns indicadores, mas as UTIs continuam concentrando grande parte das ocorrências. Entre os principais problemas estão as infecções de corrente sanguínea ligadas ao uso de cateter venoso central e os casos de pneumonia associada à ventilação mecânica.

Além dos impactos na saúde, as infecções hospitalares também elevam os custos do sistema. Pacientes infectados podem gerar despesas até 55% maiores durante o tratamento. Nos Estados Unidos, os gastos ultrapassam US$ 40 bilhões por ano, enquanto na Europa chegam a € 7 bilhões anuais.

Outro desafio é o uso inadequado de antibióticos, apontado como um dos fatores que favorecem a resistência bacteriana.

“O uso inadequado de antibióticos pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, ressalta a dra. Cláudia Vidal.

A OMS alerta que infecções resistentes podem provocar até 10 milhões de mortes anuais até 2050.

Dados da Anvisa também mostram que parte das instituições de saúde brasileiras ainda não possui programas estruturados para controle do uso de antimicrobianos. Entre 153 serviços avaliados, apenas 52,7% contavam com programas específicos de gerenciamento desses medicamentos.

Nas UTIs, porém, o monitoramento é mais frequente. Cerca de 95,6% das unidades adultas acompanham o uso de antibióticos, enquanto nas UTIs pediátricas o índice é de 82,8%.

Diante do aumento das infecções e do avanço da resistência bacteriana, especialistas reforçam que medidas simples continuam sendo fundamentais para reduzir riscos e salvar vidas. “Fortalecer as medidas de prevenção de infecções é imprescindível, em especial a higiene das mãos de forma adequada e oportuna, estratégias essas fundamentais para proteger os pacientes e salvar vidas!”, finaliza a infectologista.

*Com informações da assessoria de comunicação. 

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