Domingo, 22 de Março de 2026
Saúde

Ponta Porã receberá primeira sala de situação binacional do País

19 mai 2025 - 05h29   atualizado em 03/03/2026 às 09h32

Gesiane Sousa

Ponta Porã receberá primeira sala de situação binacional do País Com ferramentas de georreferenciamento e indicadores em tempo real, as salas serão centrais no monitoramento de arboviroses, síndromes respiratórias e outros agravos à saúde. (Foto: Marcos Espíndola)

O Governo de Mato Grosso do Sul iniciará a instalação das primeiras Salas de Situação de Saúde binacionais do país, começando por Ponta Porã, seguida por Mundo Novo e Porto Murtinho, cidades fronteiriças com o Paraguai. A estrutura integrará dados e decisões entre os dois países para responder às emergências sanitárias, com previsão de funcionamento da primeira delas a partir do próximo mês.

A iniciativa, apresentada pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) em reunião binacional realizada no último mês, é uma resposta aos riscos sanitários em uma região com intensa circulação de pessoas entre Brasil e Paraguai. Ela foi pauta de encontro que contou com representantes do Ministério da Saúde do Brasil, autoridades paraguaias, organismos internacionais, além da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná e das prefeituras de Mundo Novo, Porto Murtinho e Ponta Porã, para alinhar as ações integradas de vigilância.

Conforme acordado entre os dois países, as salas de situação operarão em conjunto, com mapas interativos, sistemas de georreferenciamento e análise de dados em tempo real. Equipes técnicas binacionais trabalharão no monitoramento de doenças e na tomada de decisões compartilhadas.

“Esta é a primeira vez que o Brasil implementa salas de situação em parceria direta com uma nação vizinha, o que representa um avanço significativo na cooperação internacional em saúde pública. Essa iniciativa pioneira permitirá um monitoramento mais eficaz e uma resposta rápida e coordenada a emergências sanitárias na região de fronteira, beneficiando diretamente a população dos dois países”, afirma a Superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Castilho.

Dados e tecnologia orientarão novas estratégias de vigilância

Com ferramentas de georreferenciamento e indicadores em tempo real, as salas serão centrais no monitoramento de arboviroses, síndromes respiratórias e outros agravos à saúde. A plataforma compartilhada permitirá o fluxo de informações entre os sistemas de saúde dos dois países.

“Desenvolvemos ferramentas tecnológicas avançadas que possibilitam às secretarias municipais de saúde, especialmente nas regiões de fronteira, o acesso em tempo real a painéis integrados com dados epidemiológicos georreferenciados. A plataforma utiliza sistemas de inteligência de dados para cruzar informações, gerar alertas automáticos e facilitar a visualização de tendências. Essa integração fortalece a comunicação entre os níveis municipal e estadual, agiliza a detecção de surtos e permite uma resposta mais coordenada e estratégica às emergências em saúde pública. Com essas soluções, as decisões ganham mais precisão, eficiência e impacto direto na proteção da população”, explica o Coordenador de Tecnologia da Informação da SES, Marcos Espindola.

Como forma de apoio direto aos municípios e estímulo à adoção da nova estrutura de vigilância, o Governo de MS, por meio da SES, entregou computadores para os principais municípios da fronteira com o Paraguai envolvidos no trabalho. A entrega foi feita pelo secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa. O objetivo é equipar as futuras salas de situação a serem implantadas fortalecendo a estrutura do município para ampliar a capacidade de análise, monitoramento e tomada de decisão. A proposta é iniciar com essas cidades e incentivar que as demais vizinhas fronteiriças adotem a mesma estrutura em suas secretarias municipais de saúde.

Além dos sistemas de alerta conjunto para identificar o aumento de casos de doenças, as salas de situação contarão com bancos de dados unificados com registros de pacientes e histórico de vacinação, além da capacitação de equipes brasileiras e paraguaias em protocolos padronizados.

O cronograma de implementação — considerando os três municípios participantes — prevê, para o 2º quadrimestre de 2025, o alinhamento de protocolos e definição da infraestrutura necessária. No 3º quadrimestre do mesmo ano, está prevista a instalação física das salas. Já no 1º quadrimestre de 2026, será realizada a avaliação dos indicadores e os ajustes nas ações planejadas. Em Ponta Porã, no entanto, a implantação está adiantada, com previsão de início já nos próximos 30 dias.

Mais do que de ampliar a capacidade de vigilância e resposta rápida, o modelo permite decisões mais embasadas para mitigar crises sanitárias, promover ações preventivas e garantir mais eficiência na gestão pública da saúde nas áreas de fronteira.

Saúde transfronteiriça e mapeamento

As salas de situação estão previstas em termo de cooperação assinado entre Brasil e Paraguai deu início, no último mês, dando início a um amplo mapeamento das estruturas de saúde nas cidades fronteiriças entre os dois países. Dentre os pilares do termo está identificar capacidades hospitalares, recursos humanos e equipamentos disponíveis em regiões como Ponta Porã (MS), Mundo Novo (MS), Pedro Juan Caballero (PY), Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad del Este (PY).

“O mapeamento nos permitirá entender, em detalhes, a realidade de cada município, utilizando o cruzamento de dados a fim de verificar onde há falta de insumos, profissionais ou leitos. Esse levantamento é essencial para direcionar investimentos e criar uma rede de saúde integrada, capaz de atender rapidamente a população fronteiriça”, destaca a secretária-adjunta da SES, Crhistinne Maymone, que assinou representando Mato Grosso do Sul como um dos signatários do documento.

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