Entre afagos e sorrisos, cães terapeutas ajudam a melhorar o bem-estar de idosos acamados.
(Foto: Valéria Curvo)
Transformar um momento difícil em uma memória feliz. Esse é o objetivo do Projeto Amigo Cão, uma iniciativa que tem feito a diferença na vida de pacientes em tratamento de quimioterapia, idosos acamados e crianças em situação de vulnerabilidade.
A ação leva cães terapeutas a abrigos, instituições de acolhimento e asilos, oferecendo doses de carinho, afeto e acolhimento por meio da interação com os animais.
O projeto tem se destacado principalmente na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacom), em Corumbá. A proposta surgiu a partir da sensibilidade da psicóloga Ana Cecília, que, ao lembrar da paixão de Valéria Curvo pelos animais, pensou nos benefícios proporcionados pela convivência entre humanos e bichos. Essa ideia possibilitou a inclusão dos cães no processo terapêutico de pacientes oncológicos.
“Os cães são chamados de cão-terapeutas. Quando eles chegam, é como se a dor e o medo se dissolvessem. A sessão de quimioterapia, que costuma ser marcada por sofrimento, vira uma manhã de alegria. Tem bolo, suco e muita troca de carinho”, destaca Valéria Maria Almeida Nóbrega Curvo, voluntária e idealizadora ao lado da psicóloga.
O projeto segue todas as exigências legais e sanitárias. Os cães precisam estar com a vacinação em dia, vermifugados e devidamente higienizados. “É um trabalho que segue todas as normas exigidas pelo Ministério da Saúde. A segurança e o bem-estar dos pacientes e dos animais são prioridades”, reforça Valéria.
Amigo Cão promove bem-estar físico e emocional por meio da interação com animais. Foto: Valéria CurvoAs visitas duram, em média, 30 minutos, tempo suficiente para levar alegria sem causar estresse aos pacientes. A quantidade de cães varia conforme o número de pessoas atendidas no dia.
Além do impacto emocional, o projeto tem promovido avanços significativos no comportamento e na socialização dos participantes. Em uma das visitas à APAE, por exemplo, uma jovem com síndrome de Down, que antes sentia medo de cães, aos poucos ganhou confiança e passou a caminhar ao lado de um dos terapeutas de quatro patas.“Foi emocionante ver a evolução dela. O carinho e a confiança que ela criou com o animal são reflexos diretos do amor que o projeto proporciona”, conta Valéria.
Agora, o Amigo Cão busca ampliar sua atuação, levando os animais também à ala pediátrica e estabelecendo parcerias com o poder público. “A ideia é mostrar que as pessoas existem, que precisam de atenção e cuidado. Queremos sensibilizar e, quem sabe, conseguir apoio por meio de emendas parlamentares ou parcerias que permitam a expansão dessa iniciativa tão importante.”
O Amigo Cão é mais do que um projeto. É uma ponte entre a dor e a esperança, entre o sofrimento e o amor. Um gesto simples, mas poderoso, que prova que o afeto, mesmo vindo de quatro patas, pode curar mais do que muitos remédios.
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