Pessoa abrindo bica sem água.
(Foto: Arquivo/Divulgação)
A falta de água que atinge Corumbá há quase uma semana virou alvo de uma forte cobrança institucional na Câmara Municipal. Durante a sessão desta segunda-feira, 17 de agosto, a vereadora Hanna Santana apresentou um requerimento em regime de urgência especial exigindo que a Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) tome providências imediatas para restabelecer e assegurar o abastecimento na cidade.
O clamor popular motivou a iniciativa da parlamentar. Desde a última quarta-feira (12), moradores do Bairro Aeroporto e de outras regiões da parte alta de Corumbá enfrentam torneiras secas ou baixa pressão crônica na rede. No último final de semana, Hanna esteve pessoalmente no Bairro Aeroporto para vistoriar a situação e constatou a gravidade do desabastecimento em diversas residências.
O documento foi encaminhado diretamente ao diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, com cópias ao gerente regional da empresa, Diogo Fernandes Ramos Gaeta, e à Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (Agems).
Medidas emergenciais e transparência
Entre as ações de curto prazo exigidas pela vereadora no requerimento estão:
- Retorno contínuo do fornecimento de água em todas as áreas afetadas.
- Divulgação de um cronograma objetivo para a normalização do serviço.
- Envio imediato de caminhões-pipa com água potável enquanto persistir a baixa pressão ou a interrupção.
- Divulgação transparente dos horários e pontos de distribuição dos caminhões-pipa para a comunidade.
Após a apresentação do requerimento na Câmara, a assessoria da parlamentar informou que moradores do Bairro Aeroporto começaram a relatar o retorno gradual do fornecimento em algumas casas. No entanto, Hanna Santana ressaltou que relatos pontuais não resolvem a crise. Para ela, é indispensável que a fiscalização continue até que o serviço seja restabelecido de forma contínua e com a pressão adequada em toda a região.
Foco na solução definitiva
Além do socorro imediato, o requerimento foca em problemas estruturais históricos do município. A vereadora cobrou o acesso ao Plano de Emergência e Contingência da Sanesul em Corumbá, especificamente sobre o manejo de baceiros. O acúmulo dessa vegetação aquática flutuante na estação de captação de água bruta do Rio Paraguai é um dos principais fatores que interrompem o serviço.
Hanna questionou oficialmente a viabilidade e o andamento dos estudos para a instalação de barreiras físicas — como telas, grades ou estruturas flutuantes — que impeçam as plantas de alcançar e obstruir as bombas de sucção da empresa. Segundo o documento, a repetição desse fenômeno exige planejamento preventivo e monitoramento permanente.
“Não é aceitável que as famílias permaneçam por vários dias sem água e sem informações claras sobre a normalização. Estivemos no Bairro Aeroporto e verificamos pessoalmente a situação enfrentada pelos moradores. Precisamos de uma resposta emergencial para quem ainda está sem abastecimento, mas também de soluções definitivas para evitar que o mesmo problema continue se repetindo”, destacou Hanna Santana.
Justiça no bolso: Abatimento por cano vazio
Outro ponto importante do requerimento defende que o cidadão corumbaense não deve pagar por um serviço que não recebeu. Hanna Santana fundamentou o pedido de revisão, abatimento ou compensação nas faturas com base nas normas que asseguram a regularidade, a continuidade e a eficiência dos serviços públicos essenciais.
“É justo que o consumidor não arque integralmente com um serviço que não foi prestado de forma adequada. Quando há interrupção prolongada, é necessário que haja abatimento ou compensação na conta de água, como forma de respeito ao cidadão e de equilíbrio na relação de consumo”, afirmou a vereadora.
Até o momento, a assessoria da parlamentar informou que o fornecimento começou a retornar de forma tímida e pontual em algumas casas do Bairro Aeroporto. No entanto, Hanna ressalta que o monitoramento continuará firme, pois a normalização precisa ser integral, contínua e com a pressão correta em todos os bairros atingidos.
Lucro milionário versus torneiras secas
O requerimento da parlamentar expõe um forte contraste econômico: a Sanesul fechou o ano anterior com um lucro líquido de aproximadamente R$ 48,4 milhões. Enquanto a saúde financeira da companhia vai bem, a eficiência na ponta deixa a desejar.
Um levantamento realizado a partir de registros e publicações locais identificou que, nos últimos dois anos, Corumbá sofreu pelo menos 83 ocorrências de falta de água, baixa pressão ou risco iminente de interrupção generalizada. Os dados comprovam que o problema na cidade não é um fato isolado, mas sim uma falha crônica e estrutural.
Força-tarefa
Diante da gravidade da situação, uma força-tarefa militar foi acionada na sexta-feira (14) para intervir diretamente nas águas do Rio Paraguai. Mergulhadores da Marinha do Brasil realizaram uma complexa operação de limpeza nas estruturas submersas de captação da Sanesul. Trabalhando a uma profundidade de aproximadamente três metros, a equipe enfrentou a baixa visibilidade e a força da correnteza para remover manualmente o denso acúmulo de baceiros que obstruía as bombas de sucção. Esse esforço técnico e braçal foi determinante para desobstruir o sistema na tentativa de restabelecer o fluxo de água para a cidade, dias antes da sessão que levou o caso à Câmara Municipal. Uma nova ação de limpeza pode ser realizada por mergulhadores da Marinha hoje.
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