Família ribeirinha em barco no rio Paraguai.
(Foto: Divulgação/Arquivo)
Uma comitiva formada por lideranças do setor produtivo e do terceiro setor reuniu-se, na quarta-feira, 12 de agosto, com a Secretaria de Estado da Cidadania de Mato Grosso do Sul para traçar um plano de ação focado nas demandas das populações rurais e comunidades tradicionais da maior planície alagável do mundo. O encontro dá sequência direta aos diagnósticos colhidos na Expedição PantanalTech, uma iniciativa de campo realizada neste ano em parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) que antecedeu a feira tecnológica em Aquidauana.
O grupo foi recebido pelo secretário titular da pasta, José Francisco Sarmento Nogueira, e sua equipe técnica. Sentaram-se à mesa representantes do Sindicato Rural de Corumbá, do Instituto Viva Pantanal e da Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul). A meta central do debate foi traduzir em prioridades de governo os gargalos históricos enfrentados por funcionários e proprietários de fazendas pantaneiras.
Um bioma de múltiplas realidades
A principal estratégia da comitiva foi alertar o poder público para a necessidade de descentralizar as ações. O Pantanal é composto por 11 sub-regiões distintas, cada uma marcada por desafios geográficos, produtivos e sociais específicos. Por isso, os participantes defenderam que as políticas estaduais abandonem a visão de um território uniforme e passem a respeitar as particularidades de cada localidade.
Quatro frentes críticas concentraram as discussões do encontro:
- Educação: ampliação e fortalecimento do ensino na zona rural.
- Saúde: garantia de atendimento e socorro médico em áreas isoladas.
- Infraestrutura básica: expansão do acesso à energia elétrica e à água potável.
- Saneamento: implementação de redes e destinação adequada de resíduos.
Articulação de longo prazo
O presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Stefano Santa Lucci Rettore — acompanhado do tesoureiro Pedro Paulo Barros —, destacou que a entidade já havia entregue ao Executivo estadual um raio-X das necessidades de cerca de 300 famílias que vivem nos assentamentos rurais da região, como a Colônia, Bracinho, São Domingos e Cedrinho. A união de forças atual busca tirar do papel as melhorias de acesso e infraestrutura que os pecuaristas e trabalhadores locais tanto almejam.
Complementando a visão de campo, o vice-presidente do Instituto Viva Pantanal, Luiz Mendes, reforçou que o material levado à Secretaria da Cidadania reflete fielmente as rodas de conversa e visitas técnicas feitas às fazendas, que contaram também com o acompanhamento do produtor Fábio Jallad. De acordo com as lideranças, este movimento técnico terá novos desdobramentos e reuniões periódicas para subsidiar um plano sustentável de longo prazo focado na dignidade do homem pantaneiro.
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