Vereadores e autoridades durante Audiência Pública na Câmara de Corumbá.
(Foto: Câmara de Corumbá)
A Prainha do Porto Geral, um dos principais cartões-postais de Corumbá, foi o centro de um importante debate na manhã desta quinta-feira, 08 de outubro. Realizada no plenário Dr. Léo de Medeiros Guimarães, na Câmara Municipal, uma audiência pública reuniu autoridades locais para discutir o ordenamento do espaço. O objetivo principal é transformar a área onde tradicionalmente ocorre o Banho de São João em um ambiente estritamente voltado ao lazer seguro da população corumbaense e dos turistas que visitam a maior cidade pantaneira.
A iniciativa do debate partiu do vereador Matheus Cazarin, que conduziu os trabalhos após a abertura feita pelo presidente da Casa de Leis, vereador Ubiratan Canhete de Campos Filho (Bira). Durante o encontro, Cazarin enfatizou que a intenção é conciliar o direito ao lazer e ao trabalho com a segurança das pessoas e a preservação do patrimônio natural. Atualmente, nos finais de semana e feriados, o local sofre com a superlotação e o uso compartilhado e arriscado do mesmo espaço por banhistas, carros, jet-skis e pequenas embarcações, o que dificulta a organização e a fiscalização.
Projetos de urbanização e divisão de áreas
Para solucionar o problema, a Prefeitura já trabalha em um plano de reestruturação. Segundo Lauzie Michelle Mohamed Xavier Salazar, diretora da Fundação de Desenvolvimento e Patrimônio Histórico, o projeto de urbanização da área portuária vai desde a Cacimba da Saúde até o Centro de Convenções. As obras do setor 6, situado em frente ao Moinho Cultural, devem começar assim que uma nova licença ambiental for liberada.
A estratégia prevê uma divisão clara: a prainha do Banho de São João será exclusiva para banhistas e manifestações religiosas e culturais. Já as intervenções na chamada "Prainha Vermelha" (também em frente ao Moinho) vão transformá-la no ponto oficial de embarque e desembarque de jet-skis e pequenas embarcações. Os veículos que tracionam esses barcos deverão utilizar o estacionamento do Centro de Convenções. Além disso, uma área próxima à captação de água bruta será urbanizada para receber as embarcações maiores que hoje ocupam o espaço dos banhistas.
O comandante da Capitania Fluvial do Pantanal, capitão de fragata Eduardo Miranda da Fonseca, confirmou que o projeto de urbanização já foi aprovado pela Marinha e que as instituições estão trabalhando juntas para acelerar a transição.
Fiscalização integrada e preservação cultural
Outro gargalo da região é o estacionamento irregular de veículos perto da margem do Rio Paraguai. Por se tratar de uma área pertencente à União, os agentes de trânsito locais hoje não têm autonomia para aplicar multas. No entanto, a diretora da Agetrat, Marina Ricco, revelou que o Município busca firmar um convênio com a Superintendência de Patrimônio da União (SPU) para permitir que os fiscais da cidade passem a atuar e autuar na região.
Além das melhorias na infraestrutura e na segurança — com atenção especial à proteção de crianças que frequentam o rio —, as autoridades reforçaram a necessidade de manter viva a mística do Porto Geral. “A discussão precisa ir além da infraestrutura física. Precisamos preservar aquilo que dá identidade ao lugar. O espaço deve continuar sendo um ponto de encontro, de celebração, fé e valorização da história de Corumbá”, defendeu o vereador Matheus Cazarin.
A audiência contou ainda com a presença dos vereadores Hanna Ellen Santana e Samyr Sadeq Ramunieh, da secretária de Governo e Gestão Estratégica, Josileia Rigo Marques — que representou o prefeito Gabriel Alves de Oliveira —, além de lideranças locais e representantes da Bolívia.
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