Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026
Política

Riedel admite implodir pontes condenadas em MS após tragédia com morte

14 ago 2026 - 11h13   atualizado às 11h26

Gesiane S. Lourenço

Riedel admite implodir pontes condenadas em MS após tragédia com morte Eduardo Riedel durante participação no projeto Cefé & Política. (Foto: Juliano Almeida)

O governo de Mato Grosso do Sul adotará medidas extremas para conter o colapso de sua malha rodoviária. Nesta sexta-feira, 14 de agosto, durante participação no projeto Café & Política, o governador Eduardo Riedel (PP) afirmou que o Estado não hesitará em implodir pontes que apresentarem riscos irreversíveis à segurança pública. O posicionamento ocorre menos de 24 horas após o trágico desabamento da ponte sobre o Rio Taquari, na MS-214, em Coxim, que resultou na morte de um caminhoneiro na quinta-feira (13).

O sinal de alerta acendeu após a identificação de um padrão preocupante de engenharia. Segundo Riedel, uma única empreiteira foi responsável pela construção de sete pontes em rodovias estaduais, das quais três já desmoronaram. Diante do histórico alarmante, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) contratou uma empresa especializada para realizar um raio-X das estruturas remanescentes. O laudo técnico, previsto para ser concluído em até dois meses, definirá se as estruturas receberão reforço emergencial ou se serão demolidas por meio de detonações controladas.

Queda de ponte em Coxim. Foto: Reprodução

Infraestrutura defasada enfrenta frotas superpesadas

Ao analisar as causas da crise estrutural, o governador apontou o descompasso entre o avanço da frota logística e a idade das estradas. Pontes projetadas e construídas há duas décadas estão sendo submetidas diariamente a treminhões de nove eixos que transportam cargas superiores a 100 toneladas. Riedel comparou o cenário nacional com o do Paraguai, destacando a necessidade de um controle de pesagem mais rigoroso nas rodovias brasileiras.
Esse debate sobre o limite de peso ganha contornos ainda mais críticos com a recente autorização experimental da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para a circulação dos chamados "hexatrens" da Suzano em trechos não pavimentados. Essas composições gigantescas podem atingir comprimento de até 60 metros de extensão, capacidade máxima de tração (CMT) de até 250 toneladas. A empresa de celulose deverá arcar com estudos estruturais e reparar quaisquer danos geométricos e materiais nas vias e bueiros.

Prejuízo milionário e histórico de negligência

A conta para recompor os acessos destruídos pesará de forma severa nos cofres públicos. Estimativas preliminares indicam que a reconstrução da ponte sobre o Rio Taquari, em Coxim, demandará um investimento de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões devido à sua grande extensão. A título de comparação, a ponte sobre o Rio do Peixe (MS-080, em Rio Negro) — que desabou em fevereiro deste ano durante a passagem de um bitrem — foi licitada emergencialmente por R$ 13,28 milhões e tem prazo de entrega de um ano.

O desastre em Coxim é o quarto colapso estrutural de grande porte registrado em Mato Grosso do Sul em pouco mais de uma década. O histórico de sinistros começou em janeiro de 2016, quando a ponte sobre o Rio Santo Antônio, em Guia Lopes da Laguna, caiu com menos de quatro anos de uso por falhas de dimensionamento. Dois anos depois, em fevereiro de 2018, parte da ponte sobre o Rio dos Velhos, em Jardim, também cedeu por erros de projeto. Os episódios sucessivos evidenciam um gargalo histórico em vistorias preventivas e fiscalização de contratos públicos no estado.

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