Carca de acetato de etila apresentou irregularidades.
(Foto: Divulgação/RFB)
Uma força-tarefa estratégica entre a Receita Federal do Brasil e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou em um dos maiores desfalques recentes à logística do narcotráfico internacional na região de fronteira. A operação, baseada em um minucioso trabalho coordenado de inteligência, interceptou uma carga massiva de insumos químicos na cidade de Corumbá (MS), ponto que faz limite com a Bolívia. O objetivo central da iniciativa é sufocar o processo produtivo de entorpecentes diretamente na origem, antes que cheguem aos centros urbanos.
A ofensiva integrada uniu os esforços da equipe de Análise de Risco da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal da 8ª Região Fiscal em São Paulo (DIREP 08), do setor de Vigilância e Repressão da Receita Federal em Corumbá e dos policiais rodoviários federais de plantão na região. A sinergia entre os órgãos permitiu a identificação e a abordagem precisa do veículo suspeito.
Durante a abordagem realizada na tarde de quinta-feira, 11 de junho, os agentes localizaram a surpreendente quantidade de aproximadamente 20 toneladas de acetato de etila. No jargão do refino, o composto é apelidado de “solvente nobre” por ser fundamental para purificar e transformar a cocaína base em cloridrato de cocaína, garantindo uma droga de pureza elevada e alto valor de mercado.
O impacto real dessa apreensão impressiona pela escala de conversão. Traficantes costumam utilizar a proporção média de um litro de acetato de etila para gerar dois quilos de cocaína refinada. Diante do volume e da concentração química do material confiscado, as autoridades estimam que o produto seria capaz de abastecer laboratórios para a produção de até 40 toneladas de cloridrato de cocaína pronta para o consumo.
Como a fabricação de cocaína depende obrigatoriamente de reagentes e solventes específicos, o controle rígido de precursores químicos nas fronteiras nacionais consolidou-se como uma ferramenta de combate indispensável. Ao barrar o composto, o Estado não apenas impõe um severo prejuízo financeiro às organizações criminosas transnacionais, mas também desarticula a cadeia criminosa antes mesmo que o entorpecente seja finalizado e inserido nas rotas de distribuição brasileiras.
O motorista do veículo e a carreta carregada com o solvente foram detidos em flagrante e encaminhados à Delegacia de Polícia Federal. De acordo com a Assessoria de Comunicação da Alfândega da Receita Federal em Corumbá, a ação reafirma o compromisso mútuo das instituições em fortalecer as barreiras de fiscalização e monitorar o desvio de substâncias controladas no país.
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