Carretas ao fundo transitam intensamente pelas estradas de barro da comunidade.
(Foto: Reprodução/Vídeo)
As reclamações de moradores das áreas rurais de Corumbá, como os distritos de Antônio Maria Coelho e Porto Esperança, arrastam-se há anos devido aos impactos negativos do transporte de minério na região. De acordo com o relato do produtor rural Francisco Arruda, proprietário de terras na comunidade desde 2022, a situação se agravou recentemente. Segundo ele, o fluxo de caminhões pesados triplicou nas estradas locais.
Francisco explica que, após seguidos prejuízos com sua produção e o duro convívio com a poeira vermelha do minério, decidiu se mudar para a área urbana e colocar sua propriedade à venda. Apesar de residir na cidade hoje, ele se mantém presente e atuante nas reivindicações locais. O produtor aponta que medidas mitigatórias anteriormente acordadas com a mineradora para minimizar o problema — como a umidificação constante das vias de terra — não estão acontecendo.
"A situação está difícil. Diuturnamente nós sofremos com a poeira provocada pelo transporte de minério. Toda vez eles aparecem com uma possível nova solução. Dessa vez, o subterfúgio deles é o projeto de expansão com o transportador de correia. Eles prometem que não terá mais poeira, pode até ser, mas isso só vai se concretizar lá para 2030. E, devido a essa expansão, o fluxo de caminhões triplicou aqui na região", critica Arruda.
O proprietário acredita que os planos de ampliação da capacidade elevaram expressivamente o número de carretas nas estradas, tornando as condições de vida no local desumanas. "A correia vai começar a funcionar só em 2030 e, até lá, nós vamos comer poeira e sofrer com o barulho três vezes mais", desabafa.
Diante do impasse e da falta de soluções imediatas, a comunidade de Antônio Maria Coelho marcou uma reunião para este mês de agosto. O objetivo do encontro é organizar uma ação coletiva de indenização por danos ambientais e morais acumulada.
A promessa do fim da poeira
O Projeto Expansão Corumbá, desenvolvido pela mineradora LHG Mining, mensionado por Francisco, apresenta como solução tecnológica a instalação de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD). De acordo com a apresentação do plano, uma estrutura "rolante" de 12 km irá criar uma mega estrutura de correias transportadoras integradas. Ela ligará a área de beneficiamento da Mina de Santa Cruz diretamente ao pátio de produtos e ao sistema ferroviário com o objetivo de eliminar a necessidade do transporte de minério por carretas pesadas nas estradas vicinais da região, que hoje é a principal causa das nuvens de poeira vermelha que sufocam os distritos de Porto Esperança e Antônio Maria Coelho.
O plano foi declarado como de utilidade pública pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, autorizando a desapropriação de áreas rurais para a passagem da linha de transporte. Além do ganho ambiental, o sistema foi projetado para dar vazão à meta da empresa de duplicar a produção de minério de ferro e manganês, saltando de 12 milhões para 25 milhões de toneladas por ano.
Sobre o cronograma da obra do Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD), que promete dar fim a poeira vermelha na região, presente no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da LHG Mining apresentado ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), a fase de obras, montagem eletromecânica e testes tem uma duração prevista de 24 a 30 meses.
Atualmente, com os processos de licenciamento ambiental e liberação das faixas de terra em execução, o cronograma projeta que a estrutura esteja totalmente montada, testada e com a operação assistida concluída até o segundo semestre de 2027, consolidando a meta de escoamento a partir deste período.
Os moradores que convivem diariamente com os impactos da poeira do minério na região, não acreditam que o prazo será cumprido.
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