Comandante do Batalhão de Choque, major Cleyton da Silva Santos, durante coletiva à imprensa
((Foto: Victória Costacurta)
Uma ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar terminou com a morte de Joilson, conhecido como “Chacal”, em Ladário. Segundo a corporação, a operação tinha como alvo o filho dele, suspeito de romper a tornozeleira eletrônica há cerca de cinco dias e de envolvimento em roubos e furtos praticados em Corumbá e Ladário.
Em entrevista concedida ao Campo Grande News, o comandante do Batalhão de Choque, major Cleyton da Silva Santos, informou que os policiais receberam informações sobre o paradeiro do suspeito e seguiram até uma residência onde ele estaria escondido.
“A equipe, sabendo dessas informações, deslocou-se até uma residência”, afirmou.
Conforme o comandante, ao chegarem ao local, os policiais avistaram um homem com as características do procurado, que fugiu em direção a um terreno baldio. Os militares o perseguiram, atravessaram o terreno e pularam um muro para acessar a residência onde ele supostamente morava.
No imóvel, entretanto, os policiais encontraram Joilson, pai do suspeito. Segundo a versão apresentada pela Polícia Militar, ele estava armado com um revólver calibre .38, não obedeceu às ordens policiais e apontou a arma em direção à equipe.
“Ao entrar no imóvel, a equipe encontrou um indivíduo posteriormente identificado como Joilson, conhecido pelo apelido de Chacal. Ele era pai do homem que havia rompido a tornozeleira eletrônica”, relatou o major ao Campo Grande News.
Ainda de acordo com a corporação, os policiais efetuaram disparos para interromper a agressão considerada iminente contra a equipe. Joilson foi atingido e morreu no local.
Durante as buscas na residência, os militares apreenderam mais de um quilo de maconha, papelotes de cocaína, um revólver calibre .38 e a tornozeleira eletrônica rompida pelo filho de Joilson.
O homem que era alvo da operação não foi preso e continua sendo procurado. Conforme a Polícia Militar, ele é suspeito de participação em roubos e furtos registrados recentemente em Corumbá e Ladário, além de responder por crimes de roubo, tráfico de drogas, receptação e furto.
O major também apresentou ao Campo Grande News o histórico criminal atribuído a Joilson, que inclui registros de três ocorrências de tráfico de drogas, seis furtos qualificados, duas receptações de veículos, quatro portes de arma, duas ocorrências de disparo de arma de fogo em via pública, três tentativas de homicídio, três ameaças, duas lesões corporais e uma ocorrência de violência doméstica. Segundo o comandante, ele ainda era investigado por envolvimento no envio de veículos roubados para a Bolívia.
Operação Jovem Guerreiro
A ação faz parte da Operação Jovem Guerreiro, iniciada pelo Comando-Geral da Polícia Militar após a morte do soldado Marcelo Pimenta, atingido por um disparo de fuzil durante uma ocorrência em Corumbá.
Em entrevista ao Campo Grande News, o major Cleyton da Silva Santos explicou que a mobilização reúne equipes especializadas, como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e o Batalhão de Choque, e não está restrita à captura dos envolvidos na morte do policial militar.
“Não estamos na região exclusivamente para deter ou prender os criminosos envolvidos na ocorrência que resultou na morte do policial. Estamos na região, sobretudo, para combater a criminalidade de maneira ampla”, declarou.
De acordo com o comandante, a operação também tem como foco o combate ao tráfico de drogas e armas, além dos roubos e furtos de veículos destinados à Bolívia.
O major ressaltou ainda que a orientação dada às equipes é realizar prisões sempre que possível. “O policial militar não vai para uma ocorrência com o intuito de ceifar a vida de alguém. A nossa função primária é fazer com que o criminoso seja levado à Justiça”, afirmou.
Dados apresentados pelo comandante ao Campo Grande News apontam que o Batalhão de Choque prendeu mais de 275 pessoas em flagrante em 2026, recuperou 70 veículos, apreendeu 138 armas de fogo e cumpriu 127 mandados de prisão. A unidade também apreendeu mais de 11 toneladas de drogas neste ano.
Com a morte de Joilson, chega a 89 o número de pessoas mortas em intervenções policiais em Mato Grosso do Sul desde o início de 2026, conforme levantamento do Campo Grande News. Já a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) contabiliza 75 mortes no mesmo período, número que já supera os 73 casos registrados oficialmente durante todo o ano de 2025.
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