Praça da República em Corumbá.
(Foto: Divulgação)
Quantas árvores uma cidade tem? Quais estão saudáveis? Quais apresentam risco? Onde é preciso plantar mais? Quais espécies são mais adequadas para cada região? E como os moradores percebem a arborização dos lugares onde vivem?
Em Corumbá (MS), essas perguntas estão sendo transformadas em dados para orientar o futuro da arborização urbana. Em parceria com a Prefeitura, a startup Arboran utiliza tecnologia para organizar as informações levantadas durante a elaboração do Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU) e transformá-las em uma ferramenta de planejamento para o município.
O trabalho reúne informações de cada árvore avaliada, incluindo espécie, condições fitossanitárias, necessidade de manejo e risco de quebra. Os dados são organizados em um sistema próprio da Arboran, que conta com um painel interativo para acompanhamento das métricas e resultados do diagnóstico.
Mais do que reunir informações, a tecnologia permite cruzar e visualizar os dados para identificar prioridades e apoiar decisões relacionadas ao manejo, conservação e planejamento da arborização. A proposta é que o município consiga enxergar a arborização de forma integrada e não apenas árvore por árvore.
"Uma árvore não é apenas uma árvore dentro da cidade. Ela faz parte de uma infraestrutura urbana viva, que cresce, precisa de cuidados e também presta diferentes serviços para a população. Quando conseguimos transformar as informações sobre essa infraestrutura em dados, passamos a ter mais condições de planejar onde é preciso manejar, conservar ou ampliar a arborização", explica Charles Coelho, engenheiro florestal e diretor técnico da Arboran.
A população também participa do projeto
O projeto também utiliza a tecnologia para aproximar os moradores da construção do PMAU. Por meio da plataforma, a população pode conhecer o projeto e encaminhar sugestões e contribuições para o plano.
A participação ganhou destaque na quarta-feira (7), durante a audiência pública do PMAU, realizada no Centro de Convenções Miguel Gómez. O encontro permitiu que os moradores conhecessem as propostas, entendessem como o diagnóstico foi realizado e contribuíssem antes da consolidação do documento.
Para Charles, a participação popular é importante porque a relação das pessoas com as árvores também ajuda a compreender a cidade.
"Quem vive na cidade percebe coisas que nem sempre aparecem em um levantamento técnico. É o lugar onde as pessoas sentem mais calor, onde falta sombra, onde uma árvore é importante para o comércio, para uma praça ou para o caminho até a escola. Por isso, ouvir a população e cruzar essa percepção com os dados técnicos ajuda a construir um planejamento mais conectado com a realidade de Corumbá", afirma.
Além da audiência pública, a Arboran realizou uma capacitação com profissionais da Prefeitura sobre avaliação de risco de quebra e manejo de árvores, compartilhando conhecimento técnico para as equipes que atuarão na gestão da arborização do município.
Tecnologia para entender onde a cidade mais precisa de árvores
A Arboran também desenvolve tecnologias capazes de utilizar dados ambientais para identificar áreas prioritárias para arborização. A partir de imagens e informações sobre temperatura da superfície, por exemplo, é possível produzir mapas que mostram diferenças de calor entre regiões de uma cidade.
Esse tipo de ferramenta permite cruzar informações ambientais com características urbanas e sociais e ajuda a responder uma pergunta cada vez mais importante para as cidades: onde plantar primeiro?
A lógica é utilizar dados para direcionar investimentos e ações de arborização para locais que mais precisam de sombra, conforto térmico e infraestrutura verde.
De árvores a uma base de dados para a cidade
A tecnologia utilizada em Corumbá faz parte do GAAU Plan, solução desenvolvida pela Arboran para elaboração de Planos Municipais e Diretores de Arborização Urbana.
Originária de Florianópolis, a startup já realizou o diagnóstico de mais de 160 mil árvores em diferentes municípios brasileiros. A metodologia combina levantamento de campo, engenharia florestal, análise de riscos, inteligência artificial e ferramentas digitais.
Em Corumbá, o objetivo é que o diagnóstico vá além de um levantamento das árvores existentes e se transforme em uma base de dados capaz de orientar decisões sobre plantio, manejo, conservação e segurança da arborização urbana nos próximos anos.
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