Pantanal
(Foto: Fernanda Barros)
A maior parte do Congresso que assume em 2027 chega a Brasília com histórico de baixa convergência com pautas ambientais e climáticas. Levantamento do Observatório do Clima mostra que 68,9% dos deputados federais e senadores da próxima legislatura estão nas faixas baixa ou muito baixa do Índice de Convergência Ambiental.
O indicador considera a atuação e os votos dos parlamentares em temas como licenciamento ambiental, regularização fundiária, proteção da vegetação, terras indígenas e políticas de enfrentamento às mudanças climáticas.
Dos 594 integrantes do novo Congresso, 409 aparecem nas duas faixas de menor convergência. No Senado, o índice chega a 79%, com 64 dos 81 senadores classificados nesses grupos. Na Câmara, são 345 dos 513 deputados, ou 67,3%.
O cenário tem efeito direto sobre decisões que passam pelo Congresso. Deputados e senadores votam regras de fiscalização, licenciamento, uso da terra e proteção dos biomas brasileiros. Na avaliação do Observatório do Clima, uma composição pouco alinhada à agenda ambiental pode abrir espaço para enfraquecimento de órgãos de fiscalização e redução de mecanismos de proteção.
Em Mato Grosso do Sul, o tema ganha peso pela relação direta do estado com o Pantanal. Entre os deputados reeleitos está Marcos Pollon (PL), que aparece com 14% de convergência ambiental no Farol Verde e participou de 95% das votações consideradas pelo levantamento.
O baixo índice também aparece em votações concretas. Pollon apoiou medidas que o Farol Verde classificou como desfavoráveis ao meio ambiente, entre elas alterações em regras de regularização fundiária e mudanças relacionadas ao licenciamento ambiental. O histórico mostra que a pontuação não decorre apenas de ausências, mas também do posicionamento adotado pelo parlamentar em parte das propostas acompanhadas pela plataforma.
Para Mato Grosso do Sul, decisões desse tipo atingem uma região que já convive com secas prolongadas, incêndios florestais e alterações no regime das águas. No Pantanal, mudanças nas regras ambientais podem interferir na fiscalização, na ocupação do território e na capacidade de prevenção e resposta durante períodos críticos de fogo.
A nova composição do Congresso assume em fevereiro de 2027 e terá quatro anos de decisões sobre políticas ambientais em um cenário no qual os efeitos das mudanças climáticas já alcançam diretamente a população e os biomas brasileiros.
Com informações da Agência Brasil
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