Área seca na região do Amolar.
(Foto: JP News)
O município de Corumbá é a cidade brasileira que registrou a maior perda de superfície de água de todo o país. De acordo com dados oficiais da rede MapBiomas Brasil, a região pantaneira teve uma redução drástica de 474 mil hectares de área líquida em comparação com a sua média histórica. O levantamento joga luz sobre a gravidade da crise climática e da seca prolongada que afetam diretamente o ecossistema de Mato Grosso do Sul.
O cenário geral do Pantanal aponta para um colapso hídrico sem precedentes nas últimas quatro décadas. O bioma encerrou seu balanço anual com uma superfície de água 56% abaixo da média histórica, medida desde 1985. Mesmo apresentando uma recuperação técnica pontual de 34% em relação ao ano anterior — quando atingiu o pior nível da história, com apenas 506 mil hectares alagados —, o volume atual de 679 mil hectares permanece muito distante do padrão tradicional de 1,56 milhão de hectares.
O impacto na região hidrográfica reflete as mudanças severas no regime de cheias e secas da Planície Pantaneira. Veja abaixo os principais dados consolidados pelo estudo:
- Liderança nacional negativa: Mato Grosso do Sul foi o estado que mais perdeu água no país, registrando uma retração de 527 mil hectares.
- Exceção crítica: O Pantanal se consolidou como o único bioma brasileiro a registrar escassez hídrica crônica em todos os meses do ano avaliado.
- Bacia afetada: A Região Hidrográfica do Paraguai, que abastece o bioma, perdeu mais de 877 mil hectares de espelho d'água.
- Dependência natural: Mais de 99% da superfície de água do Pantanal é natural, tornando-o extremamente vulnerável à falta de chuvas e à ação humana direta.
Mudança drástica no ciclo das águas
Conforme apontam os pesquisadores do MapBiomas Brasil, a dinâmica que antes definia a riqueza ecológica do Pantanal mudou radicalmente. A região enfrenta um ciclo contínuo de secas severas e prolongadas, padrão que se repete anualmente desde 2019.
A falta de cheias regulares deixa o solo seco e propício para o avanço de grandes queimadas, afetando a fauna, a flora e as atividades econômicas locais. Os dados evidenciam que o bioma central do país corre o risco de atingir um ponto de não retorno climático caso o estresse hídrico não seja mitigado.
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