Produção de soja
(Aprosoja/MS)
Mato Grosso do Sul exportou mais soja em julho e também ampliou a presença em mercados além da China. Embora os chineses ainda concentrem a maior parte das compras, Paquistão, Irã e Bangladesh já respondem por quase 30% dos embarques estaduais. Para a Aprosoja/MS, o movimento ocorre justamente quando os compradores internacionais passam a exigir mais qualidade, rastreabilidade e segurança na cadeia.
Foram 933,2 mil toneladas embarcadas no mês, volume 11,6% superior ao registrado em julho de 2025. Em valores, as vendas chegaram a US$ 410,29 milhões, crescimento de 21,3% na comparação anual.
Com 63,9% dos embarques, a China permaneceu como principal destino da soja sul-mato-grossense. Paquistão, com 14,5%, Bangladesh, com 7,5%, e Irã, com 7,4%, vieram na sequência. Juntos, os três mercados responderam por 29,4% da produção estadual exportada no mês.
Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, ter mais compradores reduz a dependência de um único mercado e aumenta as alternativas de comercialização para os produtores.
“A China continua sendo um mercado estratégico para a soja brasileira e sul-mato-grossense, mas a diversificação dos destinos é positiva porque reduz a concentração das vendas e aumenta as alternativas de comercialização”, avalia.
O peso da China, no entanto, continua elevado. No primeiro semestre de 2026, o país asiático recebeu 81,6% da soja exportada pelo Brasil. Por isso, a abertura de novos mercados ganha importância estratégica para o setor.
O desafio de Mato Grosso do Sul não está apenas em encontrar novos compradores. A cadeia também precisa acompanhar as mudanças no perfil de consumo e nas exigências dos mercados internacionais.
O tema foi discutido durante o VIII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial da Soja, realizado nos dias 4 e 5 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR). Vice-presidente da Aprosoja/MS, André Dobashi participou das discussões e destacou que o Brasil já não pode concentrar sua estratégia apenas no aumento da produção.
Na avaliação dele, o crescimento do poder de consumo chinês deve vir acompanhado de novas exigências sobre os produtos importados.
“O chinês passa a comer melhor e, a partir do momento em que pode comer melhor, vai exigir mais qualidade, segurança, rastreabilidade e sustentabilidade”, afirmou.
Dobashi também chamou atenção para a necessidade de o setor deixar de olhar apenas para recordes de produção e exportação.
“A China não compra grão, ela compra previsibilidade, segurança alimentar e, principalmente, confiança.”
O cenário de Mato Grosso do Sul mostra justamente essa combinação: enquanto a China continua sendo o principal mercado, outros países começam a ganhar espaço nas exportações estaduais.
Paquistão e Irã estão entre os mercados que ampliaram a participação nas compras de soja de Mato Grosso do Sul. Segundo a análise econômica da Aprosoja/MS, a demanda continua aquecida e as condições logísticas para atender países do Oriente Médio contribuíram para abrir novas possibilidades de comercialização.
A expansão, porém, ocorre em meio a um cenário internacional de instabilidade geopolítica, com possíveis impactos sobre rotas marítimas, fretes e custos de combustíveis.
“O Oriente Médio representa uma oportunidade de diversificação para a soja, mas também exige atenção à logística e aos riscos geopolíticos. Não se trata apenas de encontrar novos compradores, mas de acompanhar a transformação das rotas pelas quais os alimentos circulam no mundo”, afirma Linneu Borges Filho.
Para quem produz em Mato Grosso do Sul, a existência de mais mercados pode representar maior margem de negociação e menor exposição às oscilações provocadas pela concentração das vendas em um único destino.
Além da demanda, o custo para transportar a produção até o comprador pode definir quem consegue se manter competitivo no mercado internacional.
Durante o seminário da Embrapa, o pesquisador Thiago Péra, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), destacou que o comprador considera o preço da soja somado aos custos de frete e transporte.
“O nosso cliente chinês faz a mesma conta: qual é o preço da soja mais a logística e o frete? Quem for o mais barato, eu compro”, afirmou.
Para Mato Grosso do Sul, que ampliou o volume e o valor das exportações em julho, o desempenho externo passa, portanto, por mais do que produzir em grande escala. Infraestrutura, eficiência logística e capacidade de atender diferentes mercados tendem a ganhar peso na disputa por compradores.
As mudanças climáticas também entram nessa equação. Secas, ondas de calor e outros eventos extremos podem afetar produtividade e qualidade dos alimentos, aumentando a necessidade de tecnologia e de práticas capazes de tornar a produção mais resistente às novas condições.
Com a soja estadual avançando em volume e diversificando destinos, o próximo desafio é transformar esse crescimento em uma posição mais sólida no comércio internacional. A China continua indispensável, mas a presença de novos compradores mostra que o mercado sul-mato-grossense começa a buscar alternativas enquanto se adapta a uma cadeia cada vez mais exigente.
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