Conferência Nacional das Mulheres Indígenas em 2025, em Brasília
(Foto: Agência Brasil)
Dados divulgados nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontam que 37 indígenas foram assassinados em Mato Grosso do Sul em 2025. O Estado ficou atrás apenas de Roraima, com 82 mortes, e Amazonas, com 47, entre os estados com maior número de casos no país.
Ao todo, 258 indígenas foram assassinados no Brasil no ano passado, número superior aos 211 registros de 2024. As informações foram reunidas a partir de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, das secretarias estaduais de saúde e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
O relatório também aponta que Mato Grosso do Sul registrou 42 suicídios entre indígenas em 2025, ficando novamente entre os estados com maior número de casos. Amazonas liderou, com 77, seguido por Mato Grosso do Sul e Roraima, com 37.
No país, foram contabilizados 215 suicídios indígenas no ano passado, contra 208 em 2024. A maior parte dos casos ocorreu entre jovens: 41% envolveram indígenas de 20 a 29 anos e 34% pessoas com até 19 anos.
Segundo o Cimi, o cenário de violência registrado em 2025 está relacionado a conflitos territoriais, invasões e dificuldades na regularização das terras indígenas. O relatório aponta ainda que a insegurança enfrentada pelas comunidades envolve violência contra pessoas, patrimônio e situações de omissão do poder público.
Em todo o país, foram registrados 1.276 casos de violência contra o patrimônio indígena. Desse total, 897 estavam relacionados à omissão ou demora na regularização das terras, 169 a conflitos por direitos territoriais e 210 a invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos.
Entre as 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas existentes no Brasil, 897 ainda dependiam de alguma medida administrativa para regularização. Segundo o relatório, 582 não haviam tido nenhuma providência para iniciar o processo de demarcação.
O Cimi também chama atenção para os impactos da falta de assistência. Em 2025, foram registrados 1.024 óbitos de bebês e crianças indígenas de até quatro anos no país. Desse total, 586 mortes, equivalentes a 57%, decorreram de causas consideradas evitáveis, como gripe e pneumonia, doenças infecciosas intestinais e desnutrição.
O levantamento aponta ainda 121 registros relacionados à falta de assistência na área da saúde e 62 mortes por falta de atendimento. Entre os problemas citados estão a falta de profissionais, medicamentos, infraestrutura, acesso à água potável e saneamento básico.
Para o Cimi, os dados refletem um cenário de vulnerabilidade que permanece associado à situação territorial dos povos indígenas e à demora na adoção de medidas de proteção e regularização das terras.
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