Eduardo Riedel em evento no TJMS.
(Foto: Juliano Almeida)
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, classificou como “bem-vinda” a decisão do governo dos Estados Unidos de incluir as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais. A declaração foi dada durante um evento institucional no Tribunal de Contas do Estado, ocorrendo logo após o Departamento de Estado americano anunciar o novo enquadramento jurídico para os dois grupos criminosos. Segundo Riedel, a medida soma forças no combate ao crime que ultrapassa as divisas nacionais, já que ambas as facções operam rotas internacionais a partir da região de fronteira.
Diante do novo cenário, o chefe do Executivo estadual direcionou cobranças ao governo federal para que haja uma ampliação estrutural na segurança das divisas secas com o Paraguai e a Bolívia. Riedel apontou que, embora as polícias estaduais atuem de maneira integrada com as forças nacionais, a faixa de fronteira sul-mato-grossense sofre com o déficit de pessoal e de infraestrutura de ponta. O governador enfatizou a necessidade urgente de aumentar o efetivo da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e dos órgãos de inteligência federal para fechar os corredores logísticos utilizados pelo narcotráfico.
No âmbito regional, Riedel assegurou que o Estado mantém o controle absoluto de todo o seu território e rechaçou qualquer possibilidade de criação de "zonas sem lei" dominadas pelo crime organizado. Ele citou como exemplo as recentes operações policiais na região norte de Mato Grosso do Sul para barrar tentativas de fixação de bases das facções.
"A presença de qualquer organização criminosa no Estado é combatida com mão firme. Não estamos deixando essas facções se instalarem aqui", declarou o governador, reforçando a postura intransigente do poder público na preservação da soberania territorial.
Por fim, o governador analisou que a nova classificação determinada por Washington não deve gerar reflexos operacionais ou intervenções diretas em solo sul-mato-grossense no curto prazo. A expectativa é que os Estados Unidos concentrem o endurecimento de suas ações e sanções financeiras em território paraguaio, onde o país norte-americano já possui forte cooperação militar e de inteligência. No plano global, a rotulação como grupo terrorista amplia o bloqueio de ativos econômicos e restrições de viagens internacionais para suspeitos de ligação com as facções, gerando debates entre especialistas sobre o alcance do sufocamento financeiro e os limites da soberania diplomática.
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