Quarta-feira, 15 de Julho de 2026
economia

Mistura maior de etanol na gasolina pode projetar MS na bioenergia, diz economista

15 jul 2026 - 11h39   atualizado às 11h56

Gesiane S. Lourenço

Mistura maior de etanol na gasolina pode projetar MS na bioenergia, diz economista Abastecimento em veículo. (Foto: Divulgação / Governo Federal)

A ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32% (E32), aprovada nesta terça-feira, 14 de julho, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), deve fortalecer ainda mais a cadeia sucroenergética de Mato Grosso do Sul. A avaliação é do economista e diretor de negócios da Agricon Consultoria, Hudson Garcia, que destaca o potencial do Estado para atender parte significativa da nova demanda por biocombustíveis, impulsionando investimentos, geração de empregos e desenvolvimento econômico sustentável.

O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina representa uma oportunidade estratégica para Mato Grosso do Sul ampliar sua participação no mercado nacional de biocombustíveis e consolidar sua posição como um dos principais polos da bioenergia do país.

Segundo análise do profissional, o Estado reúne condições altamente favoráveis para absorver a expansão da demanda, graças à disponibilidade de matéria-prima, à infraestrutura industrial consolidada e ao ciclo contínuo de investimentos no setor sucroenergético.

Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com 22 usinas em operação e figura entre os maiores produtores nacionais de etanol, com destaque para a produção de etanol de milho, segmento que vem apresentando crescimento acelerado nos últimos anos.

De acordo com projeções analisadas, a implantação do E32 poderá gerar uma demanda adicional significativa por etanol anidro, da qual Mato Grosso do Sul possui capacidade instalada para suprir aproximadamente 144 milhões de litros.

Para o economista Hudson Garcia, além dos impactos diretos sobre a produção, a medida fortalece toda a cadeia econômica ligada ao setor.

“O aumento da mistura obrigatória representa muito mais do que um incremento na demanda por etanol. Trata-se de uma oportunidade para consolidar Mato Grosso do Sul como referência nacional em bioenergia. O Estado possui uma cadeia produtiva madura, ambiente favorável para novos investimentos e capacidade instalada para responder rapidamente ao crescimento do mercado. Isso significa mais empregos, ampliação da renda, novos empreendimentos e fortalecimento da competitividade da economia sul-mato-grossense”, afirma.

Segundo ele, a tendência acompanha um movimento mundial de valorização das fontes renováveis de energia e reforça o protagonismo do agronegócio brasileiro na transição energética.

“Os biocombustíveis deixaram de ser apenas uma alternativa ambiental para se tornarem um importante vetor de desenvolvimento econômico. Mato Grosso do Sul reúne condições estratégicas para transformar esse avanço regulatório em geração de riqueza, atração de investimentos e desenvolvimento regional, conciliando crescimento econômico e sustentabilidade”, destaca Hudson Garcia.

Além da expansão da produção, o cenário tende a estimular novos investimentos industriais, aumentar a capacidade produtiva das usinas, fortalecer fornecedores da cadeia sucroenergética e ampliar a arrecadação dos municípios com forte presença do setor.

Na avaliação de Hudson Garcia, a medida também reforça a importância do planejamento de longo prazo e da criação de um ambiente favorável aos investimentos, fatores essenciais para que Mato Grosso do Sul continue ampliando sua participação na produção nacional de biocombustíveis e consolidando sua liderança em uma das principais agendas da economia verde brasileira.

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