Segunda-feira, 23 de Março de 2026
cultura

Cinema itinerante chega a 40 cidades e ocupa Câmaras em MS

23 mar 2026 - 14h38   atualizado às 16h57

Danielly Carvalho

Cinema itinerante chega a 40 cidades e ocupa Câmaras em MS Plateia acompanha lançamento do projeto. (Foto: Samuel Rocha)

Um circuito de exibição de filmes começa a percorrer Mato Grosso do Sul ainda em março, levando sessões gratuitas a 40 municípios. Batizada de Cine Câmara, a iniciativa aposta em curtas-metragens, com destaque para produções sul-mato-grossenses, e títulos de outras regiões do país para aproximar o público do audiovisual e ampliar o acesso à cultura em cidades sem salas de cinema.

A proposta integra o programa Rota Cine MS e transforma as Câmaras Municipais em pontos de exibição. Para isso, os espaços foram equipados com tela, projetor, notebook e sistema de som, permitindo a realização regular das sessões.

O pontapé oficial foi dado na última quinta-feira (19), no auditório da Governadoria, em Campo Grande, reunindo autoridades estaduais e representantes do legislativo municipal. A ideia é que cada Câmara promova pelo menos uma sessão por mês, com possibilidade de ampliar a programação. As exibições são abertas e gratuitas.

Para o secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, o projeto abre portas onde antes não havia acesso ao cinema. “O Cine Câmara possibilita o acesso da população de cidades que não possuem sala de cinema. A experiência audiovisual muitas vezes se limita à televisão, que não oferece a mesma dimensão. Além disso, o projeto valoriza o cinema produzido em Mato Grosso do Sul e fortalece a circulação dessas obras”, afirma.

Em cidades do interior, a expectativa é de impacto direto no cotidiano da população. Em Alcinópolis, com pouco mais de 4,5 mil moradores e distante 317 km da capital, o presidente da Câmara, Valdeci Passarinho, aposta no alcance da ação. “Queremos envolver estudantes, a melhor idade e toda a comunidade. Em Alcinópolis, acredito que cerca de 70% da população terá contato com o cinema pela primeira vez”, destaca.

Já em Eldorado, município de 11.386 habitantes a 445 km de Campo Grande, a presidente da Câmara, Daniela Lacerda, enfatiza o caráter inclusivo da proposta. “Temos assentamento, distrito, aldeia indígena e a população urbana. A proposta é integrar todos esses públicos, incluindo estudantes e instituições como a APAE”, frisa.

Em Itaporã, a 232 km da capital, o presidente da Câmara, Flávio Godoy, vê a iniciativa como uma ponte entre gerações. “Queremos trazer todos para participar. Meu pai, de 74 anos, por exemplo, foi ao cinema ainda na época do Mazzaropi. O projeto vai possibilitar este acesso as pessoas como ele que vivem em Itaporã”, observa.

Estrutura em três frentes

O Cine Câmara completa a engrenagem do Rota Cine MS, estruturado em três pilares. O primeiro envolve a modernização do Museu da Imagem e do Som (MIS-MS), com ações voltadas à preservação da memória audiovisual, oficinas e a criação de um estúdio público. O segundo mira o fortalecimento da Pantanal Film Commission, buscando atrair produções nacionais e internacionais e movimentar a economia criativa.

Agora, com o terceiro eixo em funcionamento, o foco passa a ser a circulação de obras pelo Estado. “Além da reestruturação do MIS e do fortalecimento da Pantanal Film Commission, o Cine Câmara completa esse tripé ao levar o cinema diretamente à população. Ainda neste mês, estaremos presentes nessas cidades, compartilhando essa experiência cultural”, afirma Eduardo Mendes, diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

A seleção dos filmes prioriza produções locais, mas também abre espaço para obras de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Rondônia e Paraná. As Câmaras terão acesso a um catálogo digital e poderão montar suas próprias programações. A proposta inclui ainda trocas com outros estados. “Estamos articulando com outras Film Commissions para trazer para o Cine Câmara produções de diferentes regiões e, ao mesmo tempo, levar os filmes de Mato Grosso do Sul para esses circuitos. É uma via de mão dupla que fortalece o audiovisual brasileiro”, explica Eduardo Mendes.

Expansão prevista

Com duração inicial de oito meses, o projeto pode se estender por até três anos. Nesta primeira fase, a prioridade são municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), buscando reduzir desigualdades no acesso à cultura. A meta é alcançar, gradualmente, todas as 79 cidades sul-mato-grossenses.

Entre os municípios atendidos estão Alcinópolis, Anaurilândia, Anastácio, Antônio João, Aral Moreira, Batayporã, Bodoquena, Bonito, Corumbá, Corguinho, Coronel Sapucaia, Deodápolis, Dois Irmãos do Buriti, Douradina, Eldorado, Fátima do Sul, Figueirão, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Jateí, Japorã, Jaraguari, Juti, Laguna Carapã, Miranda, Naviraí, Nova Andradina, Itaquiraí, Novo Horizonte do Sul, Paraíso das Águas, Pedro Gomes, Porto Murtinho, Rio Brilhante, Rio Verde de Mato Grosso, Rochedo, São Gabriel do Oeste, Santa Rita do Rio Pardo, Terenos e Vicentina.

Para Éder Aguiar, presidente da Câmara de Dois Irmãos do Buriti, a iniciativa reforça o sentimento de pertencimento. “Queremos que as pessoas, ao ter esta experiência nas sessões do Cine Câmara, levem a magia do cinema para o cotidiano”, afirma.

Em Antônio João, o presidente da Câmara, Luís Ramão Franco Pires, acredita que o projeto pode ir além da exibição de filmes e estimular novas produções locais. “Todas as cidades têm histórias que merecem ser contadas. O Cine Câmara pode inspirar jovens a produzir seus próprios filmes”, avalia.

A programação segue ao longo de 2026, com atividades espalhadas por todo o Estado. O projeto é realizado por meio de parceria entre o Governo de Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e o Instituto Curumins, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).*Com informações da assessoria de comunicação.

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