participantes receberam orientações sobre o método Wolbachia e a soltura de mosquitos prevista para outubro
(Foto: PMC)
Corumbá vai começar a soltar mosquitos Aedes aegypti em diferentes pontos da cidade a partir de outubro. Embora pareça o contrário do esperado em uma ação contra dengue, zika e chikungunya, os insetos liberados carregam a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão dos vírus.
A primeira etapa alcança 11 bairros: Nossa Senhora de Fátima, Universitário, Centro América, Popular Velha, Arthur Marinho, Jardim dos Estados, Popular Nova, Aeroporto, Nova Corumbá, Maria Leite e Guarani. As solturas serão feitas uma vez por semana, pela manhã, durante cerca de seis meses.
A lista não reúne necessariamente os bairros que concentraram mais registros das doenças ao longo do ano. Dados divulgados pela Vigilância em Saúde em maio colocavam Guatós entre os locais com maior número de casos confirmados de dengue e Cristo Redentor entre os de maior incidência de chikungunya, mas os dois ficaram fora desta primeira etapa. Popular Nova e Jardim dos Estados, que também apareciam nos levantamentos, estão entre os bairros escolhidos. O material divulgado sobre a implantação não detalha quais critérios técnicos definiram essa divisão inicial.
A Wolbachia dificulta o desenvolvimento dos vírus dentro do Aedes. O mosquito continua existindo e se reproduzindo, mas tem menor capacidade de transmitir as doenças. A tecnologia não envolve modificação genética e, depois de introduzida no inseto, a bactéria é transmitida aos descendentes, permitindo que avance entre as novas gerações.
A preparação para as primeiras solturas já começou. Segundo a gerente de Vigilância em Saúde, Walkíria Arruda da Silva, os agentes de endemias passaram por capacitação e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) está sendo adaptado para receber os materiais.
“Já capacitamos os agentes de endemias, porque existe uma metodologia muito robusta de monitoramento, e estamos adaptando o CCZ para receber os materiais”, explicou.
O método já é utilizado em outras cidades brasileiras. Em Niterói, no Rio de Janeiro, estudos associados à implantação apontaram redução de 89% nos casos de dengue. Campo Grande também adotou a tecnologia e resultados apresentados durante a implantação em Corumbá apontam redução de 63%.
Em Corumbá, o acompanhamento começa cerca de um mês depois das primeiras solturas. Armadilhas destinadas à coleta de ovos serão usadas nas áreas atendidas para verificar se a Wolbachia está conseguindo se estabelecer entre os mosquitos encontrados na cidade. O monitoramento continuará depois do encerramento das liberações.
Um núcleo de eclosão também será montado no município. É nesse espaço que as cápsulas com ovos serão preparadas e os mosquitos passarão pelo desenvolvimento até a fase adulta, antes de serem levados aos bairros.
Os detalhes da implantação foram apresentados nesta quarta-feira (23), durante reunião do Comitê de Combate às Arboviroses, que reuniu profissionais da vigilância e representantes da UFMS, Unicesumar, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Marinha do Brasil.
A chegada da Wolbachia não substitui o combate aos criadouros. Água parada continua favorecendo a reprodução do Aedes e as medidas de prevenção permanecem necessárias.
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