Autoridades durante a inauguração da primeira UTI Neonatal e Pediátrica de Corumbá
(Foto: Capital do Pantanal)
No dia em que completa 248 anos, Corumbá recebeu uma entrega aguardada há anos na saúde: a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e Pediátrica do município. Inaugurada nesta segunda-feira (21), no Hospital Cassems, a estrutura conta com dez leitos, cinco neonatais e cinco pediátricos, e abre a possibilidade de atender na própria cidade, bebês e crianças que até então, precisavam percorrer mais de 400 quilômetros até Campo Grande em busca de cuidados intensivos.
A distância entre Corumbá e os grandes centros acabou sendo pauta de boa parte dos discursos durante a cerimônia. Em uma das falas, a própria origem do nome da cidade foi usada para falar desse isolamento. Corumbá, do tupi-guarani, carrega o sentido de “lugar distante”. A cidade, dizia o discurso, continuará distante geograficamente, mas não mais esquecida quando precisar de serviços mais complexos de saúde.
Em uma eventual emergência essa distância influencia principalmente o tempo na estrada. O prefeito de Ladário, Munir Sadeq Ramunieh, lembrou que o município possui ambulância para transporte neonatal, mas ainda enfrenta cerca de 430 quilômetros quando é necessário encaminhar um paciente até Campo Grande.
Maurício explicou que a distância dos grandes centros exige que Corumbá tenha serviços capazes de atender casos mais complexos na própria região. Em outras áreas do Estado, há cidades de referência próximas; no Pantanal, uma transferência pode significar mais de 400 quilômetros de estrada.
“Essa região precisa de serviços que sejam resolutivos aqui mesmo, porque muitas vezes não vai dar tempo de transferirmos os pacientes”, afirmou.
A nova UTI recebeu aproximadamente R$ 11,2 milhões em investimentos entre obras e equipamentos. A implantação reuniu Cassems e Governo do Estado e, segundo os relatos feitos durante a inauguração, não avançou sem discussão sobre os custos. O presidente da Cassems, Ricardo Ayache, contou que houve resistência dentro da própria instituição diante de mais um investimento em um período de aumento das despesas na saúde.
O custo não termina com a entrega dos leitos. Maurício chamou atenção para a necessidade de manter profissionais, equipamentos e toda a estrutura necessária para um serviço de alta complexidade continuar funcionando.
“Manter ao longo do tempo é que é o grande desafio”, disse.
A parceria também deve permitir que o atendimento vá além dos beneficiários da Cassems. Durante a cerimônia, o secretário afirmou que a nova estrutura poderá receber pacientes da Cassems, da Unimed e do Sistema Único de Saúde (SUS). Não foram detalhados, porém, quantos dos dez leitos ficarão disponíveis para encaminhamentos pela rede pública nem como será feita a regulação dessas vagas.
A discussão para levar uma UTI neonatal a Corumbá começou antes da obra. O prefeito Gabriel Alves de Oliveira relembrou uma reunião com Maurício Simões, articulada com a participação do deputado estadual Paulo Duarte, quando procurou o Estado em busca de recursos para a saúde do município.
Gabriel contou que chegou à reunião para pedir dinheiro, como, nas palavras dele, “todo prefeito faz”, mas ouviu do secretário que Corumbá precisava primeiro “fazer o dever de casa”. Segundo o prefeito, depois das correções apontadas naquele momento, o Estado passou a destinar mais de R$ 500 mil mensais ao hospital. Foi durante essas conversas que a necessidade da UTI neonatal também foi apresentada e a Cassems entrou na discussão.
Ao relembrar esse período, Gabriel se emocionou e relacionou a entrega da unidade às situações que acompanhou como médico antes de chegar à Prefeitura. Segundo ele, conviver com a dificuldade das famílias que precisavam sair de Corumbá em busca de atendimento para os filhos também pesou em sua decisão de deixar o Legislativo e disputar o Executivo.
“Eu sei que pelo Executivo eu posso executar, posso ir atrás de recursos”, disse. Gabriel afirmou ainda que a UTI estava entre os compromissos assumidos antes de chegar à Prefeitura e lembrou o fato de a entrega ocorrer justamente no aniversário da cidade.
A presença da Cassems em Corumbá também começou a partir de uma demanda que não estava inicialmente nos planos da instituição. Ricardo Ayache contou que o então prefeito Paulo Duarte entrou em contato oferecendo um terreno para a construção de um hospital. A proposta foi levada adiante e a unidade recebeu, ao longo dos anos, UTI adulta, centro de diagnóstico, hemodinâmica e outros serviços.
Roberto Magno Botareli Cesar, que integra a administração da Cassems e acompanhou as discussões desde o início, lembrou que a distância se torna ainda mais preocupante quando o paciente é um bebê prematuro ou uma criança que necessita de terapia intensiva. Natural de Três Lagoas, ele comparou as longas distâncias enfrentadas por quem vive no interior e chamou atenção para pacientes que podem não ter condições clínicas de suportar horas de transporte até outro município.
Com a inauguração, recém-nascidos e crianças que antes precisavam deixar Corumbá com necessidade de terapia intensiva passam a contar com dez leitos na própria cidade. A expectativa apresentada durante a cerimônia é reduzir as remoções para Campo Grande e permitir que parte desses pacientes seja atendida sem deixar a região.
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