Tonéis de solvente em caminhão na fronteira de Corumbá com a Bolívia.
(Foto: RFB)
Em uma operação conjunta de grande impacto contra o narcotráfico transnacional, a Receita Federal e a Polícia Federal apreenderam, na manhã deste domingo, 20 de setembro, cerca de 15 toneladas de acetato de etila na região de fronteira em Corumbá, Mato Grosso do Sul. O insumo químico, conhecido no submundo do crime como "solvente nobre", é uma peça-chave para o refino e a pureza da droga, sendo utilizado na transformação da cocaína base em cloridrato de cocaína de alta qualidade.
A interceptação ocorreu por volta das 8h30 e contou com a atuação integrada do Grupo Regional de Vigilância e Repressão (GRVR) da 1ª Região Fiscal da Receita Federal, da CGPRE/SADIP da Polícia Federal e da Delegacia da PF em Corumbá. A carga foi retida após as equipes de fiscalização identificarem graves incorreções na nota fiscal, constatando que o produto transportado divergia totalmente da especificação declarada no documento.
O volume impressiona pelo potencial destrutivo que teria no mercado ilegal. Estimativas das autoridades apontam que, considerando a proporção média de um litro de acetato de etila para a produção de dois quilos de entorpecente pronto para consumo, a quantidade apreendida seria suficiente para refinar aproximadamente 30 toneladas de cloridrato de cocaína.
A carreta e o motorista foram encaminhados à sede da Polícia Federal para os procedimentos de polícia judiciária e a apuração das responsabilidades criminais. Diante do cerco fechado na fronteira, as instituições destacam que o aumento rigoroso da fiscalização na região tem provocado tentativas recorrentes e desesperadas de circulação irregular de insumos por parte das organizações criminosas.
Como a produção de cocaína depende obrigatoriamente de reagentes e solventes específicos, o controle rígido dessas substâncias nas fronteiras brasileiras tem se consolidado como uma das ferramentas mais eficazes do Estado. Além de gerar um prejuízo financeiro milionário e imediato aos cofres do crime organizado, ações baseadas em inteligência atacam diretamente a logística e a origem da cadeia do narcotráfico, desarticulando a estrutura antes mesmo que a droga chegue aos grandes centros urbanos. As investigações sobre as circunstâncias e ramificações da ocorrência seguem sob análise das autoridades competentes.
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