mais de 12 sacos de resíduos retirados do Porto Geral de Corumbá
(Foto: Divulgação)
O que começou com uma conversa sobre a situação do rio Paraguai terminou com mais de 12 sacos de resíduos retirados do Porto Geral de Corumbá. Neste sábado (19), 17 estudantes da Escola Sesi percorreram a região às margens do rio para recolher o lixo encontrado no local. Cada saco utilizado tinha capacidade para 200 litros e o material foi levado para descarte adequado.
A limpeza ocorreu no Dia Mundial de Limpeza dos Rios e Mares, celebrado no terceiro sábado de setembro. Antes de chegar ao Porto Geral, os alunos conversaram com o biólogo Sérgio Barreto sobre os problemas enfrentados pela bacia do Paraguai e, em seguida, foram ver de perto o que chega a uma das áreas mais frequentadas da orla corumbaense.
Para Barreto, olhar para o lixo encontrado ali também ajuda a desfazer a ideia de que os problemas ambientais do Pantanal estão distantes da rotina da cidade.
“Viemos aqui no Porto Geral, quintal da casa de todos, e eles puderam notar o que encontramos aqui. Entender a importância de se manter não só o rio Paraguai e o Pantanal conservado, mas ter uma cidade limpa e a consciência sobre como manuseamos nosso lixo”, afirmou.
A preocupação não se limita à paisagem do Porto Geral. O rio Paraguai está diretamente ligado ao abastecimento de quem vive na região. Dados da Embrapa Pantanal apresentados pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) apontam que mais de 110 mil pessoas em Corumbá, Ladário e comunidades rurais dependem dele como principal fonte de água.
Essa relação atravessa a fronteira. O Paraguai está conectado ao sistema da Laguna Cáceres, que alcança Puerto Quijarro e Puerto Suárez, na Bolívia, onde vivem mais de 27 mil pessoas. O que acontece com o rio, portanto, acompanha um curso de água compartilhado por cidades dos dois países.
Entre os estudantes que participaram da coleta estava Natalie Vitória, de 17 anos. Para ela, colocar a mão no trabalho ajuda a transformar um assunto discutido na escola em algo mais próximo.
“Acredito que uma das formas de criar a consciência ambiental nos jovens é a gente ter ações de educação ambiental, participar de projetos práticos. O Pantanal é nosso patrimônio, aqui na nossa cidade a gente tem também o patrimônio cultural. É um símbolo para todo o Brasil”, contou.
A atividade foi realizada pelo IHP com a Escola Sesi e faz parte do programa Semeando o Amanhã, desenvolvido com crianças e jovens das áreas urbana e rural. Na escola, o tema também aparece em trabalhos que passam por diferentes disciplinas e projetos, segundo o professor Gabriel Souza Arruda.
No fim da manhã, o resultado mais visível estava nos sacos retirados da região portuária. Mais do que uma questão distante sobre conservação do Pantanal, o material encontrado pelos estudantes estava no próprio espaço de convivência da cidade, às margens do rio que abastece Corumbá e Ladário.
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