Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026
Saúde

MS prepara sistema de saúde para enfrentar eventos climáticos extremos

21 ago 2026 - 09h19   atualizado às 09h30

Gesiane S. Lourenço

MS prepara sistema de saúde para enfrentar eventos climáticos extremos Pôr do sol em dia de calor extremo em Corumbá. (Foto: Divulgação)

Mato Grosso do Sul iniciou uma série de capacitações para preparar seus serviços de saúde contra os impactos de eventos climáticos extremos e do fenômeno El Niño. As atividades abordam diretamente situações críticas como ondas de calor, estiagens, queimadas e chuvas intensas. Os profissionais também debaterão as mudanças no comportamento de doenças respiratórias e arboviroses decorrentes das alterações do clima.

A programação vai percorrer as nove regiões de saúde do estado, promovendo a integração entre diferentes áreas e revisando os planos de contingência atuais. O planejamento considera a realidade e os cenários específicos de cada um dos 79 municípios sul-mato-grossenses.

O cronograma começou pela Região Centro, que reúne os municípios do entorno de Campo Grande. Na sequência, os profissionais da capital receberão um treinamento específico devido ao grande volume de trabalhadores. O cronograma avançará pelas demais regiões do estado, incluindo a Região Norte, com referência em Coxim, e a Região Centro-Sul.

No dia 31 de agosto, o auditório do Conselho Estadual de Saúde receberá um treinamento focado no atendimento a populações vulneráveis, como indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas. Este encontro contará com a participação de equipes de Vigilância, Atenção Primária, além de gestores hospitalares e municipais. A preparação estadual também disponibilizará webinários voltados para atualizar os profissionais sobre como as mudanças climáticas alteram a rotina e a demanda das unidades de saúde.

Simulados práticos e novo manual de orientação

Para aproximar a teoria da prática, as equipes participam de simulados de mesa. Essa metodologia apresenta cenários hipotéticos de crises climáticas reais para que os profissionais avaliem a evolução dos casos e organizem a assistência médica. Um dos exercícios práticos simula, por exemplo, o aumento repentino de pacientes com problemas respiratórios provocados pela fumaça de queimadas ou pelo tempo seco extremo.

O cenário inicial simula o aumento de pacientes com problemas respiratórios decorrentes de queimadas. Conforme a crise avança, novos desafios são inseridos:

  • Chegada de pacientes com sintomas de dengue ou chikungunya
  • Sobrecarga repentina do atendimento local
  • Necessidade de remanejamento de profissionais de saúde
  • Transferência emergencial de pacientes entre municípios

A metodologia respeita a estrutura real de cada localidade, permitindo que os próprios profissionais encontrem soluções para ampliar a capacidade de atendimento. Para dar suporte contínuo, o Estado elabora um manual em formato de apostila focado no manejo clínico de ondas de calor, secas e queimadas. O material ajudará médicos, enfermeiros e técnicos a identificar mudanças no perfil dos pacientes associadas ao ambiente. A Defesa Civil também atua nas capacitações para instruir as equipes sobre como interpretar alertas meteorológicos.

Agente de saúde realiza vistoria para eliminação de criadouros do mosquito da dengue. Foto: Divulgação SES

O ciclo do mosquito e o desafio da Vigilância

A Vigilância Epidemiológica expandiu suas diretrizes para monitorar e notificar fluxos de doenças diretamente ligadas ao clima. A preparação técnica foca na perigosa transição entre a estiagem e as chuvas. Durante a seca, os ovos do mosquito Aedes aegypti sobrevivem por meses em locais sem água aparente, como calhas, pratos de plantas, tampinhas e latas.

Assim que as primeiras chuvas ocorrem, esses ovos eclodem e iniciam um novo ciclo de reprodução. Essa dinâmica climática pode gerar crises simultâneas: fumaça e tempo seco incham as unidades com problemas respiratórios, enquanto as chuvas subsequentes disparam os surtos de arboviroses.

Cenário epidemiológico em Mato Grosso do Sul (Dados de 2026)

Os indicadores de saúde do estado exigem vigilância contínua e rigorosa:

  • Dengue (até a Semana Epidemiológica 31): 4.551 casos prováveis e 1.933 casos confirmados, com distribuição heterogênea e municípios em alta incidência
  • Chikungunya (até 11 de agosto): 12.520 casos prováveis, 9.961 casos confirmados e 30 óbitos registrados
  • Taxa de incidência: A chikungunya atingiu a marca de 454,2 casos por 100 mil habitantes no estado

Guia de prevenção para a população

A eliminação de criadouros deve ser mantida rigorosamente, mesmo nos períodos mais secos do ano:

  • Tampar: Caixas-d’água, tonéis e barris de forma hermética
  • Eliminar: Água acumulada em vasos, pneus, calhas e ralos
  • Esfregar: As paredes dos bebedouros de animais durante a limpeza
  • Descartar: Lixo e objetos em desuso no ambiente externo
  • Proteger: Usar repelentes, telas e roupas compridas em áreas de risco
  • Receber: Permitir o acesso dos agentes de saúde e endemias nas residências

Identificação de sintomas e atendimento

Os sintomas variam de acordo com a infecção e exigem atenção médica imediata: 

  • Sinais de Dengue: Febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas
  • Sinais de Chikungunya: Febre acompanhada de dores e inchaços intensos nas articulações.

Ao apresentar qualquer um desses sintomas, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) imediatamente e evite a automedicação, que pode agravar o quadro clínico.

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