Joseane em foto publicada nas redes sociais.
(Foto: Reprodução)
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul prendeu em flagrante, nas proximidades da rodovia BR-163, Lourival da Cruz Neto, de 19 anos. Ele é apontado como o autor do feminicídio que vitimou Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, na noite desta quarta-feira, 19 de agosto, em Campo Grande. A captura foi realizada por agentes da Delegacia de Polícia de Jaraguari, que iniciaram as buscas imediatamente após o crime.
O investigado foi encaminhado para a 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). No local, o Setor de Investigações Gerais (SIG) e o Setor de Enfrentamento ao Feminicídio (SEFEM) formalizaram a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante e deram andamento aos procedimentos jurídicos cabíveis.
O ciclo da violência e a proteção estatal
Durante o levantamento dos antecedentes do caso, as autoridades identificaram que a vítima possuía um histórico de denúncias de violência doméstica. Em julho de 2026, ela havia registrado um boletim de ocorrência e recebido uma Medida Protetiva de Urgência (MPU). Contudo, poucos dias antes do crime, a mulher compareceu aos órgãos competentes para manifestar formalmente o interesse na revogação do mecanismo de proteção.
Em nota oficial, a Polícia Civil esclareceu que a retirada da medida protetiva jamais configura responsabilidade da vítima pela agressão sofrida ou renúncia ao amparo do Estado. A instituição ressaltou que esse comportamento é característico do "ciclo da violência", uma dinâmica psicológica em que episódios de abuso são sucedidos por fases de reconciliação, promessas de melhora e aparente calmaria, o que dificulta o rompimento definitivo do vínculo afetivo por parte da mulher.
Canais de denúncia e acolhimento
A nota da imprensa reforça que a responsabilidade pelo crime de feminicídio é integral e exclusiva do agressor. As medidas protetivas de urgência continuam sendo classificadas pelas autoridades como os principais instrumentos para interromper o ciclo de abusos e preservar a integridade física das mulheres no estado.
A recomendação da Polícia Civil é que qualquer mulher exposta a situações de ameaça ou violência procure imediatamente a rede de apoio pública e registre o fato. Em nota, o órgão reafirmou o compromisso com a investigação rigorosa dos crimes de gênero e com o fortalecimento das ações de proteção em Mato Grosso do Sul. A vítima deixa três filhos órfãos.
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