Funcionária realiza limpeza dos vidros de entrada de agência bancária com cartazes de greve.
(Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)
Bancários de todo o país fazem paralisação nesta quinta-feira (20). De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), a mobilização deve afetar tanto bancos públicos quanto privados. A categoria reivindica aumento real de salário, valorização dos pisos, vales refeição e alimentação, participação nos lucros e resultados (PLR) e criação de um piso para os trabalhadores de tecnologia da informação (TI).
De acordo com a Contraf, os bancos não apresentaram nenhuma proposta de índice de reajuste até o momento. Está agendada para a próxima segunda-feira (24) nova reunião de negociação entre as partes.
Os bancários destacam que o patrimônio líquido do setor bancário atingiu, em 2025, o montante de R$ 1,2 trilhão. Segundo a Contraf, o lucro anual por empregado nos bancos é de R$ 438 mil. A entidade ressalta que, em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que chegava a alcançar 14%; em 2025, distribuíram em média apenas 5,9%.
Pressão da categoria
A forte pressão e a mobilização unificada dos trabalhadores bancários resultaram em uma importante vitória política nas mesas de negociação da Campanha Nacional 2026. Em rodada de conversas realizada em São Paulo, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) recuou de suas posições anteriores e retirou formalmente da mesa a proposta que previa um reajuste salarial escalonado por faixas e o congelamento do piso da categoria. Segundo dados e informações da Federação dos Bancários de São Paulo e Mato Grosso do Sul (FEEB SP/MS), a mudança de postura do setor patronal é um reflexo direto da expressiva participação dos trabalhadores nas assembleias de base e da paralisação nacional de 24 horas desta quinta-feira, 20 de agosto.
Em Mato Grosso do Sul, o movimento sindical e os bancários locais receberam a notícia como uma demonstração clara do poder de articulação e resistência da categoria no estado. A proposta anterior da Fenaban vinha sendo duramente criticada pelas lideranças regionais por tentar fragmentar os trabalhadores. O modelo rejeitado oferecia percentuais de correção distintos a depender da faixa salarial e penalizava severamente os novos funcionários ao vetar qualquer reajuste sobre o piso de ingresso. Para os representantes sul-mato-grossenses, a rejeição em massa a esse modelo foi o fator decisivo para constranger os bancos a reverem a estratégia.
A FEEB SP/MS teve participação direta nas duas frentes de negociação que ocorreram simultaneamente. Na mesa conduzida pelo Comando Nacional dos Bancários, a federação foi representada por sua vice-presidente, Ana Stela Alves de Lima, e pelo secretário-geral, Reginaldo Breda. Paralelamente, na mesa de negociação da CONTEC, os interesses dos trabalhadores foram defendidos por David Zaia, presidente da FEEB SP/MS e secretário-geral da Confederação.
Para a vice-presidente Ana Stela, a tentativa da Fenaban de criar divisões internas foi um erro que acabou por unir ainda mais a base. Ela reforçou que nenhum acordo seria aceito se estabelecesse um tratamento discriminatório entre os bancários ou se deixasse os profissionais que estão no piso sem a devida reposição. A forte adesão dos bancários de Mato Grosso do Sul às assembleias realizadas na última segunda-feira (17) demonstrou aos bancos o tamanho da insatisfação geral e a disposição dos trabalhadores em lutar por seus direitos. Embora o recuo patronal represente uma conquista tática fundamental, as lideranças alertam que a categoria deve seguir mobilizada enquanto as negociações avançam em busca de uma proposta econômica justa e sem a retirada de conquistas históricas.
*Com informações da Agência Brasil e FEEB SP/MS
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