Criança com celular nas mãos.
(Foto: Pixabay)
Com o objetivo de proporcionar um espaço de diálogo, reflexão e debate sobre temas contemporâneos que impactam a formação acadêmica e a sociedade, a terceira edição do projeto Café Filosófico, realizado pelo PET Interdisciplinar Pedagogia e Psicologia – Conexões na terça-feira, 18 de agosto, reuniu professores e universitários da região no CPAN (Campus Pantanal da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) para discutir o impacto do uso de telas na infância. Os participantes analisaram as implicações do uso crescente de dispositivos digitais pelas crianças e as suas consequências negativas na formação e desenvolvimento.
O debate contou com a contribuição da professora Juliana Diniz Gutierres Borges, do curso de Pedagogia, e do professor Ronny Machado de Moraes, do curso de Psicologia. Os docentes trouxeram perspectivas complementares sobre os processos educacionais, as fases do desenvolvimento e a maneira como as crianças estabelecem relações com as tecnologias atuais. A mediação das conversas foi conduzida pela petiana Karla Stefany de Freitas Alves Correa, que organizou as interações e direcionou as perguntas enviadas pela plateia.
O encontro evidenciou seu caráter interdisciplinar ao atrair estudantes de graduações variadas, incluindo Psicologia, Pedagogia, Direito, Sistemas de Informação e Educação Física. A participação ativa do público permitiu expandir a abordagem para além dos riscos tradicionais das telas. Os participantes debateram o fenômeno em sua total complexidade, considerando as interferências diretas nos contextos familiar, educacional, social e cultural em que a infância se desenvolve.
De acordo com especialistas, o uso excessivo de telas na infância afeta diretamente o desenvolvimento físico, mental e social das crianças. Como o cérebro infantil está em fase de rápida formação (neuroplasticidade), os estímulos rápidos e contínuos dos dispositivos digitais geram impactos profundos em diversas áreas. Abaixo estão os principais impactos divididos por áreas de desenvolvimento:
Desenvolvimento Cognitivo e Aprendizado
- O consumo de vídeos curtos e jogos rápidos vicia o cérebro em recompensas imediatas, reduzindo a capacidade de foco em atividades de longo prazo, como a leitura.
- Crianças que passam muito tempo interagindo com telas em vez de conversarem com adultos tendem a demorar mais para desenvolver o vocabulário e a comunicação verbal.
- O conteúdo das telas entrega o entretenimento "pronto", diminuindo o tempo dedicado ao brincar livre, essencial para a imaginação e a resolução de problemas.
Saúde Mental e Comportamento
- A desconexão ou a imposição de limites para o uso do aparelho costuma gerar crises de choro e agressividade (conhecidas como "abstinência digital").
- O isolamento social provocado pelo isolamento no mundo virtual prejudica a regulação emocional.
- O excesso de luzes, sons e movimentos rápidos pode deixar o sistema nervoso da criança em constante estado de alerta, dificultando o relaxamento.
Saúde Física e Biológica
- A luz azul emitida pelas telas inibe a produção de melatonina (o hormônio do sono), causando insônia, pesadelos e noites mal dormidas.
- O tempo gasto sentado ou deitado em frente aos aparelhos substitui as atividades físicas, o que contribui para o ganho de peso precoce.
- O esforço contínuo para focar em objetos próximos e a redução do reflexo de piscar aumentam os casos de miopia infantil e ressecamento ocular.
- Menos tempo correndo, pulando e manipulando objetos físicos resulta em atrasos na coordenação motora grossa e fina.
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é que crianças menores de 2 anos tenham zero contato com telas. O primeiro contato pode ocorrer entre 2 e 5 anos, com tempo limitado à 1 hora por dia e com supervisão. A partir de 6 anos, o tempo de uso das telas pode ser ajustada até 2 horas por dia, evitando o uso próximo ao horário de dormir.
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