Equipe de perícia vistoria o local do acidente.
(Foto: Paulo Francis)
A morte da estudante de Biomedicina Khadyja Gharyb Rocha, de 23 anos, ocorrida no fim da tarde desta quarta-feira, 19 de agosto, no Parque dos Poderes, em Campo Grande, acendeu um severo alerta sobre o monitoramento e a segurança das árvores que margeiam as pistas de caminhada e ciclovias da capital. Diante do episódio, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) informou nesta quinta-feira, dia 20, que deu início a uma ação imediata de levantamento técnico detalhado para avaliar as condições da vegetação na reserva.
A tragédia ocorrida na capital transcende os limites de Campo Grande e serve como um duro alerta para todos os municípios de Mato Grosso do Sul, especialmente cidades como Corumbá e Ladário, que possuem espaços públicos densamente arborizadas e forte contato com a vegetação nativa. O episódio evidencia que o monitoramento preventivo de árvores em vias públicas não é apenas uma questão de paisagismo, mas um elemento crítico de segurança pública. O risco invisível de espécimes que aparentam estar saudáveis por fora, mas sofrem com o apodrecimento interno crônico ou cupins, exige que as prefeituras locais intensifiquem os inventários arbóreos e as vistorias técnicas. Antecipar-se a esses colapsos silenciosos, especialmente em áreas de lazer e grande circulação de pedestres, é fundamental para proteger a vida dos cidadãos e evitar que novas fatalidades se repitam no interior do estado.
O acidente
O acidente desta quarta-feira, dia 19, chocou frequentadores da região devido às circunstâncias imprevisíveis. Khadyja passeava de patinete com uma prima na Avenida do Poeta quando foi atingida na cabeça por parte de um tronco que se rompeu. Testemunhas relataram que não ventava no momento. A árvore cedeu para o lado interno da cerca que contorna o Parque Estadual do Prosa e, ao impactar a estrutura de arame, partiu-se, caindo sobre a jovem logo após ela passar pela cobertura de um ponto de ônibus. Uma médica que passava pelo local e policiais do Bope iniciaram os primeiros socorros, seguidos por 40 minutos de tentativas de reanimação pelo Corpo de Bombeiros, mas a estudante não resistiu à parada cardiorrespiratória.
A fatalidade joga luz sobre um problema silencioso: o risco estrutural de árvores de grande porte em áreas urbanas e de preservação adjacentes a vias públicas, mesmo em dias de tempo firme. Especialistas apontam que fatores como pragas, apodrecimento interno crônico ou comprometimento das raízes podem causar quedas repentinas. Como o Parque dos Poderes é um dos principais polos de lazer, esporte e tráfego de Campo Grande, o episódio evidencia a urgência de um protocolo de manejo preventivo mais rigoroso para proteger os milhares de cidadãos que circulam diariamente pelo local.
Resposta do Imasul
Em resposta direta ao ocorrido, a equipe de assessoria do Imasul confirmou que seus técnicos já estão em campo realizando uma varredura minuciosa na área afetada. O objetivo da ação é diagnosticar as causas específicas da queda e identificar se outros exemplares arbóreos ao longo da cerca oferecem perigo iminente de colapso. Em nota oficial, o Governo do Estado lamentou profundamente a perda da universitária e garantiu que o caso está sendo tratado com máxima seriedade, assegurando que o Imasul colabora com os órgãos competentes para fornecer todo o suporte e as informações necessárias para a apuração completa dos fatos.
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